Para entender como o Haiti se tornou o que é

20 01 2010

Artigo do Eduardo Galeano em http://www.correiocidadania.com.br/content/view/4240/9/

Vejam um pequeno trecho:

“Os Estados Unidos invadiram o Haiti em 1915 e governaram o país até 1934. Retiraram-se quando alcançaram seus dois objetivos: cobrar as dívidas do City Bank e revogar o artigo constitucional que proibia a venda de terras aos estrangeiros. Robert Lansing, então secretário de Estado, justificou a prolongada e feroz ocupação militar explicando que a raça negra é incapaz de se governar por si mesma, que possui “uma tendência inerente à vida selvagem e uma incapacidade física de civilização”. Um dos responsáveis pela invasão, William Philips, havia elaborado anteriormente a sagaz idéia: “Esse é um povo inferior, incapaz de conservar a civilização que tinham deixado os franceses”.

O Haiti havia sido a pérola da corona, a colônia mais rica da França: uma grande plantação de açúcar, com força de trabalho escrava. No espírito das leis, Montesquieu o havia explicado sem travas na língua: “O açúcar seria demasiado caro se não trabalhassem os escravos para sua produção. Esses escravos são negros desde os pés até a cabeça e têm o nariz tão esmagado que é quase impossível ter deles alguma pena. Resulta impensável que Deus, que é um ser muito sábio, tenha posto uma alma e, sobretudo, uma alma boa num corpo inteiramente negro”.





Qual é a cara de Roraima?

11 11 2009

Em outubro, o SEBRAE-RR lançou uma campanha em out-doors, aproveitando a comemoração do aniversário do estado. A mensagem dizia que o estado de Roraima nasceu no dia da pequena empresa. À esquerda, a imagem de um lindo e saudável bebê. Louro e de olhos azuis.

A Assembleia Legislativa também fez uma campanha em vários out-doors convidando a população a opinar na revisão da constituição estadual. Os painéis colocados em pontos estratégicos mostram três jovens – todos louros.

Não vou discutir o mérito das duas campanhas – não acredito que deputados que nunca promoveram campanhas em torno de programas e projetos venham agora discutir seriamente qualquer assunto de interesse coletivo.

O que me intriga é a forma como a classe dominante vê a sociedade roraimense. Não há espaço para o índio, para o negro, para o mestiço, para o maranhense que é a cara da herança indígena e negra da região. Parece que o sonho de quem produz essa publicidade é mudar de povo, né? Quem sabe um povo mais assim, digamos, escandinavo?