No Brasil como em Portugal: quem não tem padrinho, morre pagão!

27 02 2009

socieconhNada como viver em um país meritocrático, não é mesmo? Não existe mais nepotismo – nem direto nem cruzado, nem mesmo nos tribunais por aí afora! Embora a gente ainda se surpreenda com os sobrenomes de alguns secretários e outras otoridades pelo Brasil (Jucá? Pinto? Surita? Puxa, já ouvi esses sobrenomes em algum lugar!…), com certeza o único critério para a escolha foi o espírito público, a competência, o talento etc.

Antropólogos como Roberto Da Matta já produziram trabalhos interessantes sobre a cultura do “Você sabe com quem está falando?”, tão visceralmente diferente do igualitarismo democrático que está por trás, por exemplo, do “Who do you think you are?” de estadunidenses que não aceitam um carteiraço. Claro, nos EUA também existe “peixada”, carteiraço. Mas não parece ser um traço cultural tão fundamental com aqui. O “jeitinho”, a transgressão da norma impessoal, republicana, é muitas vezes a forma de sobreviver em um país com a marca de 400 anos de escravidão e 500 de latifúndio. Há leis que “não pegaram”, mesmo sendo reafirmadas de tempos em tempos. Um dos melhores comentários que vi sobre o uso do “jeitinho”, do recurso ao “conhecido” que trabalha no interior daquela agência (pública ou privada) da qual precisamos de algum serviço, é a tirinha portuguesa (ou banda desenhada, como chamam por lá) que reproduzi acima.

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