Este bispo do Século XVIII seria um bom nome para o PSC colocar na comissão de Direitos Humanos

30 03 2013

O livro O Trato dos Viventes, de Luís Felipe Alencastro, é um precioso e prazeroso livro de História do Brasil, escrito por um grande historiador, comprometido com a tarefa de compreender nosso país hoje. Já nasceu um clássico. Além de ser escrito com rigor profissional, usa uma linguagem ágil, correta e ao mesmo tempo popular. Quem não leu ainda, vai adorar. Ri muito com esse parágrafo do Alencastro (e acrescento uma aquarela do Julião, artista e engenheiro residente no Brasil do século XVIII:

“Frei Vitoriano, bispo de Cabo Verde no início do século XVIII, perdia o sono só de pensar nas fornicações dos moradores de sua ilha. Estremecido pelo desejo de estorvar coitos, levantava e ‘saía pessoalmente de noite a tirar as concubinas não só das casas dos clérigos, mas também das dos seculares, ainda em partes distantes e fora da cidade.’ E que fazia esse insone energúmeno das amantes assim surpreendidas? As livres iam degredadas para outras ilhas do arquipélago africano, enquanto as escravas eram deportadas para ser vendidas no Rio de Janeiro. Carecia debelar as mancebias, mas ninguém precisava perder dinheiro por causa disso.” (ALENCASTRO, 2001, p. 162).

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