Por que e como ensinar história?

4 04 2013

Há quem proclame, em viva voz ou em camisetas, que odeia as segundas-feiras. Alguém já respondeu o seguinte: “As segundas-feiras são tão boas quanto os outros dias. O seu emprego é que está uma droga!” Celso Vasconcellos sempre comenta que, para muitos profissionais, o fim do domingo, quando começa a musiquinha do “Fantástico”, é momento de depressão e desespero para muitos, pois é o sinal de que a segunda-feira se aproxima e, com ela, a retomada de um trabalho alienado e alienante, sem sentido – trabalho para outrem, que não gratifica pois não contribui para melhorar nada neste mundo.

Muitas pessoas estão acorrentadas a trabalhos e a existências sem sentido – difícil explicar de outra forma a quantidade crescente de casos de depressão. Não são poucos os professores que se enquadram nessa situação.

Para nós, que decidimos continuar ou entrar nessa profissão (refiro-me aos educadores na ativa e aos milhares de pessoas que estão cursando licenciatura hoje), que fazer? O que tem potencial para conferir ou roubar sentido de nosso trabalho (além dos problemas da remuneração, das jornadas excessivas e de administrações e direções escolares frequentemente autoritárias e nada transparentes)? Certamente as lutas por melhores condições de trabalho, remuneração e cumprimento do violadíssimo preceito constitucional de gestão democrática da educação tem que ser bandeiras permanentes da luta coletiva. Mas, enquanto isso, o que faremos amanhã de manhã na sala de aula, diante de 20, 30 ou 40 jovens com preocupações muito, mas muito distantes da Guerra do Peloponeso, do governo de Salvador de Sá, da heresia ariana ou da Paz de Westfália? Como cumprir com o ideal de um ensino e de uma aprendizagem de história que contribua para o aqui e o agora da cidadania, para que nossos alunos compreendam melhor o mundo em que vivem e possam atuar nele de forma transformadora, crítica, ética? Para que tenham acesso verdadeiramente ao patrimônio cultural acumulado pela humanidade?

UFA! Parece o ” assalto aos céus”, parece que “queremos tudo ao mesmo tempo agora”! Claro que essa conquista se dá aos poucos, gradualmente, mas tem que ser perseguida constantemente – é a intencionalidade do ensino de que falam Saviani e Luckesi.

Em meio a tantas picaretagens e a tantos modismos vulgares e superficiais que assolam e devastam nosso mundo da educação formal, vamos separar o joio do trigo; usar o bom senso e a criticidade, avaliar o que já pudemos acumular em termos de conhecimento científico sobre a educação. Com muitos erros, alguns acertos e vacilações, tenho refletido e estudado sobre o ensino de história desde que comecei a ser professor dessa disciplina no ensino fundamental, em 1996. Atuei em escola pública de 1996 a 2006, em bairros da classe trabalhadora, com pouquíssimos recursos, e tenho algumas contribuições a oferecer nesse debate. Tive a sorte de ter ótimas diretoras e alguns colegas com quem dialogar. Neste texto, chamarei os estudantes de licenciatura de “acadêmicos”, ao mesmo tempo em que me refiro aos estudantes do ensino fundamental e do ensino médio (aqueles a quem se destina toda a nossa reflexão sobre um ensino de história com sentido) como ” alunos” ou ” estudantes”. A base conceitual vem do diálogo com Celso Vasconcellos, Demerval Saviani, Circe Bittencourt e Selva G. Fonseca.

Trabalho desde 2007 com disciplinas ligadas à prática de ensino de história em algumas instituições públicas e particulares, tanto na graduação quanto em cursos de especialização. Gosto de começar com um mapa conceitual sobre o plano de ensino, imprimindo folhas em que estão escritos os nomes das partes essenciais do planejamento (METODOLOGIA, CONTEÚDOS, OBJETIVOS, AVALIAÇÃO, PROBLEMATIZAÇÃO – assim mesmo, fora de ordem) e colando-as no quadro com fita crepe. Então, pergunto aos acadêmicos o que eles acham que deve ser pensado primeiro: objetivos, conteúdos, avaliação, metodologia?

À medida que eles vão colocando suas hipóteses, vamos colando as folhas (ou seja, as partes do plano de ensino) na ordem que eles sugerem, usando setas, complementando. Isso dá uma boa discussão, pois alguns vão dizer sempre que a primeira coisa são os conteúdos. Afinal, aprendemos assim e essa tem sido quase sempre a prática nas escolas. Então aparecem as contradições: se os conteúdos estão dados de antemão, de que adianta pensar em objetivos? Os acadêmicos percebem que os objetivos acabam parecendo uma repetição dos conteúdos, e isso não tem sentido.

E mais: se os conteúdos estão dados de antemão, quem os escolheu? É fácil descobrir: o índice dos livros didáticos. As famosas listas tradicionais de conteúdos não são impostas por nenhuma lei, não tem relação com os PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais), não são impostas por secretarias de educação e não fazem muito sentido, pois repetem os mesmos conteúdos no ensino fundamental e no médio, OMITINDO história da África, da Ásia, História da Amazônia, História de Roraima.

Então, não tem sentido escolher conteúdos (o que ensinar) se não pensamos sobre o por que ensinar (objetivos) ou para quem vamos ensinar. É a problematização que deve preceder o planejamento: quem são meus alunos concretos? Que necessidades de aprendizagem eles apresentam? Quais são os pontos fortes da turma e em que aspectos é preciso avançar ou reorientá-los? Assim, percebemos que precisamos partir de problemas do presente, que afetam as vidas dos alunos, de suas famílias, de seus professores: a violência, o desemprego, a desigualdade social, a corrupção, a impunidade seletiva (a não-responsabilização de criminosos ricos e a violência indiscriminada contra a classe trabalhadora), a distorção das informações e a propaganda, a destruição do meio ambiente etc. Além disso, deparamo-nos com as pré-noções ou pré-conceitos dos alunos sobre a sociedade, sobre os grupos e relações sociais, sobre a formação histórica de nossa região e de nosso mundo. Identificamos assim necessidades de aprendizagem e, portanto, os OBJETIVOS de aprendizagem.

E cada um desses temas é passível de ser estudado historicamente, indo e voltando ao passado para compreender melhor o presente, com mais consistência e profundidade crítica. É isso que propõe a professora Conceição, na coleção didática do fundamental História em Projetos, por exemplo (OLIVEIRA, Conceição; MIUCCI, Carla; PAULA, Andrea de. História em projetos. 6º ao 9ª ano. São Paulo: Ática, 2010.). Os objetivos, dessa forma, governam e orientam a escolha dos conteúdos. Quando os alunos percebem isso, eles sabem porque estão estudando, por exemplo, o período colonial e o império (conteúdos): é para entender a origem histórica do racismo e da brutal desigualdade social de acordo com a etnia de origem no Brasil (objetivo). Quando eles perguntam “Por que estamos estudando História?” e o professor não sabe responder, provavelmente estamos diante de um trabalho alienado e alienante em sala de aula.

Então, quando os acadêmicos da licenciatura compreendem isso, o passo seguinte é explorar propostas de conteúdos e atividades de um ou mais livros didáticos e estudar os PCN de História. Em outra aula, os acadêmicos devem, em duplas, usar o esquema do rascunho do plano de aula para ensaiar (rascunhar) uma proposta de plano de aula e apresentá-la ‘a turma: deverão mostrar que entenderam que se deve partir de um problema do presente (como os citados acima) e usar a criatividade para redigir os objetivos e selecionar os conteúdos. O trabalho final poderá ser a elaboração e apresentação de um plano de aula com, digamos, 4 a 8 objetivos e que apresente o planejamento detalhado de 5 a 10 aulas, com avaliação, metodologia etc.

Trabalhei desse modo, e no momento parece ser a forma mais produtiva de promover uma verdadeira reflexão teórico-prática sobre o ensino de história.

André Augusto da Fonseca, professor no curso de História da UERR, mestre em Educação pela UFRGS e doutorando em História Social pela UFRJ. e-mail: andreaugfonseca@gmail.com

Rascunho de Plano de Aula

PLANO DE ENSINO

Métodos e Técnicas do Ensino de História

Quantos de nossos estudantes da educação básica tiveram oportunidade de entender a formação da Amazônia?

Quantos de nossos estudantes da educação básica tiveram oportunidade de entender a formação da Amazônia?





De que lado você está? Do lado do DEM de Kátia Abreu e Ronaldo Caiado ou do lado de Eduardo Galeano e Frei Betto?

25 09 2009

mstManifesto em defesa da Democracia e do MST

“…Legitimam-se não pela propriedade, mas pelo trabalho,

nesse mundo em que o trabalho está em extinção.

Legitimam-se porque fazem História,

num mundo que já proclamou o fim da História.

Esses homens e mulheres são um contra-senso

porque restituem à vida um sentido que se perdeu…”

(“Notícias dos sobreviventes”, Eldorado dos Carajás, 1996).

A reconstrução da democracia no Brasil tem exigido, há trinta anos, enormes sacrifícios dos trabalhadores. Desde a reconstrução de suas organizações, destruídas por duas décadas de repressão da ditadura militar, até a invenção de novas formas de movimentos e de lutas capazes de responder ao desafio de enfrentar uma das sociedades mais desiguais do mundo. Isto tem implicado, também, apresentar aos herdeiros da cultura escravocrata de cinco séculos, os trabalhadores da cidade e do campo como cidadãos e como participantes legítimos não apenas da produção da riqueza do País (como ocorreu desde sempre), mas igualmente como beneficiários da partilha da riqueza produzida.

O ódio das oligarquias rurais e urbanas não perde de vista um único dia, um desses novos instrumentos de organização e luta criados pelos trabalhadores brasileiros a partir de 1984: o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra – MST. E esse Movimento paga diariamente com suor e sangue – como ocorreu há pouco no Rio Grande do Sul, por sua ousadia de questionar um dos pilares da desigualdade social no Brasil: o monopólio da terra. O gesto de levantar sua bandeira numa ocupação traduz-se numa frase simples de entender e, por isso, intolerável aos ouvidos dos senhores da terra e do agronegócio. Um País, onde 1% da população tem a propriedade de 46% do território, defendida por cercas, agentes do Estado e matadores de aluguel, não podemos considerar uma República. Menos ainda, uma democracia.

A Constituição de 1988 determina que os latifúndios improdutivos e terras usadas para a plantação de matérias primas para a produção de drogas, devem ser destinados à Reforma Agrária. Mas, desde a assinatura da nova Carta, os sucessivos Governos têm negligenciado o seu cumprimento. À ousadia dos trabalhadores rurais de garantir esses direitos conquistados na Constituição, pressionando as autoridades através de ocupações pacíficas, soma-se outra ousadia, igualmente intolerável para os senhores do grande capital do campo e das cidades: a disputa legítima e legal do Orçamento Público.

Em quarenta anos, desde a criação do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), cerca de um milhão de famílias rurais foram assentadas – mais da metade de 2003 pra cá. Para viabilizar a atividade econômica dessas famílias, para integrá-las ao processo produtivo de alimentos e divisas no novo ciclo de desenvolvimento, é necessário travar a disputa diária pelos investimentos públicos. Daí resulta o ódio dos ruralistas e outros setores do grande capital, habituados desde sempre ao acesso exclusivo aos créditos, subsídios e ao perdão periódico de suas dívidas.

O compromisso do Governo de rever os critérios de produtividade para a agricultura brasileira, responde a uma bandeira de quatro décadas de lutas dos movimentos dos trabalhadores do campo. Ao exigir a atualização desses índices, os trabalhadores do campo estão apenas exigindo o cumprimento da Constituição Federal, e que os avanços científicos e tecnológicos ocorridos nas últimas quatro décadas, sejam incorporados aos métodos de medir a produtividade agrícola do nosso País.

É contra essa bandeira que a bancada ruralista do Congresso Nacional reage, e ataca o MST. Como represália, buscam, mais uma vez, articular a formação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) contra o MST. Seria a terceira em cinco anos. Se a agricultura brasileira é tão moderna e produtiva – como alardeia o agronegócio, por que temem tanto a atualização desses índices?

E, por que não é criada uma única CPI para analisar os recursos públicos destinados às organizações da classe patronal rural? Uma CPI que desse conta, por exemplo, de responder a algumas perguntas, tão simples como: O que ocorreu ao longo desses quarenta anos no campo brasileiro em termos de ganho de produtividade? Quanto a sociedade brasileira investiu para que uma verdadeira revolução – do ponto de vista de incorporação de novas tecnologias – tornasse a agricultura brasileira capaz de alimentar nosso povo e se afirmar como uma das maiores exportadoras de alimentos? Quantos perdões da dívida agrícola foram oferecidos pelos cofres públicos aos grandes proprietários de terra, nesse período?

O ataque ao MST extrapola a luta pela Reforma Agrária. É um ataque contra os avanços democráticos conquistados na Constituição de 1988 – como o que estabelece a função social da propriedade agrícola – e contra os direitos imprescindíveis para a reconstrução democrática do nosso País. É, portanto, contra essa reconstrução democrática que se levantam as lideranças do agronegócio e seus aliados no campo e nas cidades. E isso é grave. E isso é uma ameaça não apenas contra os movimentos dos trabalhadores rurais e urbanos, como para toda a sociedade. É a própria reconstrução democrática do Brasil, que custou os esforços e mesmo a vida de muitos brasileiros, que está sendo posta em xeque. É a própria reconstrução democrática do Brasil, que está sendo violentada.

É por essa razão que se arma, hoje, uma nova ofensiva dos setores mais conservadores da sociedade contra o Movimento dos Sem Terra – seja no Congresso Nacional, seja nos monopólios de comunicação, seja nos lobbies de pressão em todas as esferas de Poder. Trata-se, assim, ainda uma vez, de criminalizar um movimento que se mantém como uma bandeira acesa, inquietando a consciência democrática do país: a nossa democracia só será digna desse nome, quando incorporar todos os brasileiros e lhes conferir, como cidadãos e cidadãs, o direito a participar da partilha da riqueza que produzem ao longo de suas vidas, com suas mãos, o seu talento, o seu amor pela pátria de todos nós.

Contra a criminalização do MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA!

Pelo cumprimento das normas constitucionais que definem as terras destinadas à Reforma Agrária!

Pela adoção imediata dos novos critérios de produtividade para fins de Reforma Agrária!

São Paulo, 21 de setembro de 2009

Plínio de Arruda Sampaio, presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária – ABRA, ex-Deputado Federal Constituinte pelo PT-SP (1985-1991) e ex-consultor da FAO

Osvaldo Russo, estatístico, ex-presidente do INCRA (1993-1994), diretor da ABRA e coordenador do núcleo agrário nacional do PT

Hamilton Pereira, o Pedro Tierra, 61, é poeta e membro do Conselho Curador da Fundação Perseu Abramo

Antônio Cândido, crítico literário, USP

Leandro Konder, filósofo, PUC-RJ

István Mészáros, Hungria, filósofo

Eduardo Galeano, Uruguai, escritor

Alípio Freire, escritor

Fábio Konder Comparato, jurista, USP e Doutor Honoris Causa da Universidade de Coimbra

Fernando Morais, jornalista e escritor

Dr. Jacques Alfonsin, jurista, Porto Alegre

Altamiro Borges, PCdoB

Nilo Batista, jurista

Alberto Broch, Presidente da CONTAG

Artur Henrique, Presidente da CUT

Augusto Chagas, Presidente da UNE

Bartira Lima da Costa, Presidente da CONAM

Ivan Pinheiro, secretario geral do PCB

Ivan Valente, Deputador Federal PSOL/SP

José Antonio Moroni, diretor da ABONG e do INESC

José Maria de Almeida, CONLUTAS, presidente do PSTU

Nalu Faria, coordenadora geral da Sempreviva Organização Feminista – SOF e integrante da executiva nacional da Marcha Mundial das Mulheres.

Paulo Pereira da Silva, Deputado Federal PDT-SP e presidente da Força Sindical

Renato Rabelo, presidente do PcdoB

Renato Simões, Secretário de Movimentos Populares do PT

Roberto Amaral, ex-Ministro da Ciência e Tecnologia, Secretário Geral do PSB

Sérgio Miranda, PDT-MG

Valter Pomar, Secretário de Relações Internacionais do PT

Wagner Gomes, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB

Dom Ladislau Biernaski, Presidente da CPT

Dom Pedro Casaldáliga, Bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia – MT

Dom Tomás Balduino, conselheiro permanente da CPT

Frei Betto, escritor

Leonardo Boff, escritor

Reverendo Carlos Alberto Tomé da Silva, TSSF, Anglicano, Capelão Militar

Miguel Urbano, Portugal, jornalista

Anita Leocádia Prestes, historiadora, UFRJ

Beth Carvalho, sambista

Adriana Pacheco, Venezuela, ViveTV

Adelaide Gonçalves, historiadora, UFCE

Ana Esther Ceceña, UNAN

Antonio Moraes, Federação Única dos Petroleiros – FUP

Associação Brasileira de ONG’s – ABONG

Associação Brasileira dos Estudantes de Engenharia Florestal (ABEEF)

Chico Diaz, ator

Cândido Grzybowski – IBASE

Comitè italiano de apoio ao Movimento Sem Terra (Amigos MST-Italia)

Antônio Carlos Spis, CMS (Coordenação dos Movimentos Sociais)

Dora Martins, juíza de direito, e presidenta da Associação de Juízes pela Democracia

Emir Sader, sociólogo, LPP/UERJ

Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (FEAB)

Hamilton de Souza, jornalista, PUC-SP

Heloísa Fernandes, socióloga, USP e ENFF

Jose Arbex, jornalista, PUC-SP

Maria Rita Kehl, psicanalista, São Paulo

Osmar Prado, ator

Paulo Arantes, filósofo, USP e ENFF

Vandana Shiva, Índia, cientista

Virginia Fontes, historiadora, UFF/Fiocruz

Vito Gianotti, jornalista e historiador, Núcleo Piratininga de Comunicação – Rio de janeiro





Enquete – Transporte público moderno e de qualidade: um sonho distante para o boa-vistense

7 07 2009

O transporte coletivo, em muitas cidades pelo mundo afora, é eficiente, rápido e barato, concretizando a tão falada liberdade de ir e vir e diminuindo a pressão do transporte individual (automóvel) sobre o meio-ambiente e o sistema viário. E em Boa Vista, como vai a coisa?

Será que até a Venezuela vai ter um transporte público melhor que o nosso?
pitoresco ônibus venezuelano





OMS pede o combate à cleptomania em Roraima

6 07 2009

cleptomania - a endemia(AFP) A OMS (Organização Mundial de Saúde) alertou as autoridades sanitárias brasileiras para a necessidade de combater endemias graves que assolam o estado de Roraima, particularmente uma doença infecto-contagiosa conhecida como CLEPTOMANIA, já há muito disseminada em todo o país, mas atingindo aquele estado de forma peculiar. A cleptomania provoca uma incontrolável compulsão para roubar dinheiro público, desviar verbas da saúde e da educação, enfim, para se locupletar às custas do erário público, de todas formas imagináveis e mais algumas.

Caio Rolando da Rocha, representante da OMS, afirma que é muito preocupante a naturalidade com que os roraimenses encaram essa doença crônica. “Ao invés de tomar medidas preventivas, grande parte dos cidadãos não se incomoda com a disseminação da cleptomania! Na verdade, muitos indivíduos procuram ter ainda mais contato com os infectados. Os próprios cleptomaníacos encaram a doença com muita naturalidade, contribuindo para contaminar as suas famílias, vizinhos, amigos.”

Rocha explicou que, historicamente, pouco se tem feito no Brasil para combater essa enfermidade, que se tornou endêmica já no período colonial. “Em Roraima, parece que enquanto a população ainda era pequena a cleptomania não se manifestava tanto. Mas a partir de 1979 os índices de contaminação cresceram de forma exponencial.” Embora a terceirização de serviços públicos, as licitações pouco transparentes, o clientelismo e os partidos de aluguel sejam apontados como fatores associados ao agravamento da cleptomania, a OMS e o Ministério da Saúde ainda não tem explicações conclusivas sobre as causas desse crescimento. O que se sabe é que a cleptomania acaba por minar as estruturas de saúde, educação e segurança públicas, tornando a população mais vulnerável ao clientelismo. Dessa forma, cria-se um círculo vicioso, realimentando a doença e solapando a cidadania saudável.

Por outro lado, determinados mecanismos legais podem abrandar a incidência da cleptomania em alguns setores. “Há fortes evidências, em todos os estudos realizados, de que a adoção do concurso público, o fortalecimento do Ministério Público e a existência de movimentos sociais e sindicatos combativos, junto com uma oposição parlamentar forte, contribuem muito para reduzir a incidência”, afirma Rocha.

A boa notícia é que já existem remédios capazes de tratar eficazmente a doença: o CONFISCOL DE PATRIMONIALATO (100%, dose única) é um medicamento potente. O INELEGIBITOL deve ser aplicado por oito a dez anos, para evitar recaídas.