Honduras resiste! Mas porque toda a mídia distorce o que está acontecendo por lá?

21 07 2009

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Como amostra do repúdio internacional aos golpistas, estes cartazes foram produzidos por voluntários de diferentes países. Reproduzi esse material de http://ceticosantitermidorianos.blogspot.com/.

Mas por que a mídia brasileira insiste em dizer que o presidente violou a constituição ao convocar um plebiscito para estender seu mandato? Ignorância, má fé ou reflexo condicionado diante de qualquer governo que não diga amém automaticamente ao neoliberalismo e à hegemonia dos EUA?

Um relato escrito pela ex-secretária de comunicação de Allende parece ser o primeiro que tenta explicar o que está acontecendo em Honduras:

“O pecado de Zelaya

Manuel Zelaya disputou a eleição pelo Partido Liberal, que é um dos dois partidos políticos tradicionais de Honduras que se alternam no governo nos períodos em que não há ditaduras. Embora ambas as coletividades possam incluir-se na direita política, o Partido Liberal tem assumido há alguns anos uma linha progressista e inclusive pertence à socialdemocrata Internacional Socialista. Zelaya teve desde o começo a oposição dos meios de comunicação que pertencem, sem exceção, à direita política, ganhou a eleição por uma margem de votos não muito grande para o seu rival do Partido Nacional e foi ratificado como presidente depois da visita intervencionista de uma enviada do então presidente Bush.

Uma vez no governo, a gestão do mandatário se orientou para a busca de uma maior justiça social, o que produziu uma forte oposição de seus adversários políticos e inclusive de alguns personagens de seu partido. Seu mais encarniçado rival tem sido Roberto Micheletti, presidente do Congresso que, hoje, graças ao golpe, pode ostentar-se como presidente. Micheletti é um presidenciável frustrado, perdeu todas as vezes que aspirou a ser candidato de seu partido ao cargo mais importante do país. Foi derrotado por Zelaya e também por quem agora postula o cargo nas eleições previstas para 29 de novembro próximo.

Às distintas medidas postas em prática por Zelaya se agregou uma, baseada na Lei de Participação Cidadã, promulgada no seu governo. Essa lei assinala que os cidadãos podem pedir ao presidente que se faça uma consulta cidadã, que não é vinculante, sobre o tema que avaliem como de seu interesse. Mais de 400 mil pessoas solicitaram que se consultasse a opinião das pessoas sobre uma Assembléia Constituinte. Essas consultas, segundo a lei, devem ser feitas pelo Instituto Nacional de Estatística e não têm outro objetivo que o de conhecer o que o cidadão comum pensa sobre o tema de que se trate.

Isso é o que ia ser consultado no dia em que houve o golpe de estado. A pergunta concreta era:

“Você está de acordo que nas eleições gerais de novembro de 2009 se instale uma Quarta Urna na qual o povo decida a convocatória de uma Assembléia Constituinte?”

“Sim…….Não……”

A Quarta Urna era a que seria agregada às três urnas em que se deposita o voto nas eleições gerais; delas, uma é para a votação para presidente da República, outra para parlamentares e a terceira, para prefeitos e vereadores. O mandato de Zelaya termina em janeiro, de modo que tudo o que for relativo à eventual convocatória de uma Assembléia Constituinte seria algo que teria a ver com seu sucessor ; portanto, nem sequer existia um projeto que considerasse a reeleição presidencial nem nenhuma outra matéria relativa ao tema.

O motivo pelo qual se desatou o problema é muito diferente. Honduras tem uma Constituição promulgada em 1982, sob um regime ditatorial do general Policarpo Paz Garcia e nela os 8 primeiros artigos são declarados “cláusulas pétreas”, isso quer dizer que não podem nunca serem modificados. A razão é uma só: são os que determinam um tipo de governo autoritário e defensor dos interesses de determinados setores, que não estão dispostos a perder o poder. E aquele que tente mudar a constituição é considerado “traidor da pátria”.”

* * *

Isso deixa muitas perguntas no ar:

Uma constituição imposta por uma ditadura é legítima? Não se pode alterá-la no todo ou em parte?

Se realmente se decidir por um plebiscito que seja permitida a reeleição (que somente seria válida para o sucessor do atual presidente), esse procedimento não seria mil vezes mais democrático e moralmente correto do que a forma como o Príncipe dos Sociólogos impôs a reeleição no Brasil?

Por que não se divulga que Michletti (o presidente golpista) concorreu várias vezes à presidência, só conseguindo “chegar lá” por meio de um golpe?

Por que a mídia brasileira não explica que a consulta popular não tinha poder vinculante?

Nossos meios de comunicação são tão objetivos e imparciais, não são?

Leia o texto integral em http://www.socialismo.org.br/portal/internacional/38-artigo/1016-ex-secretaria-de-allende-golpe-e-advertencia-para-america-latina-

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