Sobre a BNCC e os historiadores

19 11 2016

Importante contribuição da Professora Hebe Mattos para o debate da BNCC.

conversa de historiadoras

(por Hebe Mattos)

É com preocupação que tenho acompanhado a reação indignada, predominante em alguns círculos historiográficos, à divulgação, para consulta pública, do texto de história da Base Nacional Curricular Comum (BNCC), em elaboração no MEC. Como todos os outros textos da base, trata-se de um texto preliminar, aberto à discussão, construído por uma equipe de pesquisadores da área de ensino da disciplina em questão. Este caráter técnico do recrutamento do grupo de trabalho, efetuado a partir da expertise no campo do ensino da disciplina, tornou possível que o próprio ex-ministro da educação, professor de filosofia e ética da USP, Renato Janine Ribeiro, fosse o primeiro a fazer ressalvas públicas ao texto base de história, em sua conta pessoal no facebook.  Um comentário postado por ele teve grande repercussão na imprensa.

“O documento entregue, porém, na sua primeira versão ignorava quase por completo o que não fosse Brasil e…

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Tem eleição para o King of the Kings também! Vamos à terceira seletiva!

4 10 2016

Começa hoje a terceira seletiva para a final do prêmio King of the Kings-2016, que, como você talvez saiba, desde 2008 reconhece o esforço dos coleguinhas das redações em esculhambar completamente o jornalismo do país.

Coleguinhas, uni-vos!

Não é só na eleição para vereador e prefeito que você tem possiblidade de exercer o direito do voto. Começa hoje a terceira seletiva para a final do prêmio King of the Kings-2016, que, como você talvez saiba, desde 2008 reconhece o esforço dos coleguinhas das redações em esculhambar completamente o jornalismo do país. A finalíssima do prêmio, que já tem 14 concorrentes (veja ao lado), será em janeiro de 2016.
Desta vez, vou fazer um pedido especial. É que o Facebook, por algum motivo que não sei exatamente qual é, mas desconfio, cortou minha possiblidade de impulsionar a publicação, visando que ela chegue ao conhecimento de um número maior de pessoas. Como a plataforma, só apresenta os posts a apenas 4% dos meus amigos e seguidores gratuitamente, eis que o colégio eleitoral fica restrito. Assim, mais do que nunca, preciso que você compartilhe o King of the Kings. Desde…

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Formação Histórica do Pará

7 09 2016

O Blog UPA 2.0 (https://ufpadoispontozero.wordpress.com) oferece material riquíssimo gratuitamente para quem deseja conhecer mais sobre história e culturas da Amazônia.

UFPA 2.0

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Formação Histórica do Pará: Obras Reunidas” é mais uma das grandes e valiosas contribuições bibliográficas a respeito da história do Pará feita pelo historiador e escritor Manoel Barata, como assinala na apresentação do livro Aloysio da Costa Chaves, reitor da universidade na época da publicação.

Manoel BarataManoel Barata

Com edição promovida pela Universidade Federal do Pará em 1973, integrando a Coleção Amazônia – Série José Veríssimo, é parte da comemoração do sesquicentenário da adesão do Pará à independência política do Brasil e na oportunidade contam com uma biografia do autor feita por Ernesto Cruz – outro expoente historiador e escritor paraense – e uma transcrição da notícia de sua morte e sepultamento, publicados no jornal “Estado do Pará” em outubro de 1916.

No que diz respeito ao conteúdo do livro, como o próprio título da obra evidencia, trata-se de…

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Eleições em Roraima: nada de novo, ainda

15 09 2014

Precisamos investigar por que é tão difícil o avanço do debate político em Roraima. Apesar de termos tanta gente valorosa, inteligente e capaz, falta uma cultura de debate, de criticidade, de questionamento do senso comum. Acre, Amapá e Rondônia também foram territórios federais, mas já há vários anos tem uma sociedade civil mais organizada e movimentos sociais mais robustos, o que faz com que existam alternativas políticas um pouco mais à frente que nossa classe política jurássica. Em Roraima, a discussão política pouco avança e continua rasa como um pires com água que uma formiguinha atravessa com água pela canela, como diria Nelson Rodrigues:
1. Pela enésima vez, vemos em Roraima gente que critica o candidato X por incompetência, graves acusações de corrupção, grilagem de terras, endividamento do estado etc. Mas muitas dessas mesmas pessoas pensam que a única alternativa é o candidato Y, que já estrelou escândalos nacionais de corrupção (Gafanhotos etc.) e tem tantas encrencas com a lei quanto o candidato X. Outros ainda apoiam o vice de X, como se não tivesse nada a ver com tudo o que aconteceu no estado nos últimos anos. Ao serem lembrados do caso Gafanhotos, apoiadores do candidato Y tem a desfaçatez de justificá-lo, dizendo que é normal roubar dinheiro público. Terceiros candidatos, que existem, são ignorados.

2. Há décadas o movimento estudantil sofre com descontinuidade, oportunismo e individualismo; apesar de alguns poucos ativistas que compreendem criticamente o todo e fazem uma luta coerente, outros personagens despontam com cobranças justas (mas pontuais e inconsequentes) para em seguida aliar-se ao que há de pior na política do Estado. A nova versão desse trampolim foi o mimetismo desorientado das manifestações de junho de 2013, desencadeadas em outras capitais por lutas históricas de esquerda como a do MPL, mas que em Roraima agregaram muitas pessoas com ideias extremamente reacionárias sobre criminalização do aborto, criminalização da maconha, mídia, educação, direitos LGBT etc. Ou seja, na contramão de todo o movimento contestatório no mundo. Essas pessoas, que continuam a dizer “que nenhum partido presta”, procuraram vaga imediatamente em qualquer legenda de aluguel para se candidatar ao parlamento (que “não presta”), em 2014.

3. Ainda há enorme relutância em se aceitar princípios republicanos básicos, como o concurso público: a adoção atrasada do concurso público no início dos anos 2000 ainda é vista por muitos como a grande tragédia do estado, e periodicamente aparecem “heróis” propondo emendas constitucionais para trens da alegria que deem estabilidade a pessoas não concursadas.

4. A categoria docente é uma das maiores do estado e tem o maior sindicato de RR. Ainda assim, vários professores votam e militam a favor de candidatos que, ou já massacraram a categoria, ou não assumem absolutamente qualquer compromisso com gestão democrática e financiamento da educação. Temos denúncias gravíssimas de problemas com o próprio Instituto de Previdência dos servidores, mas mesmo assim há pouca cobrança e pouca mobilização (apenas alguns poucos e bravos lutadores de muitos anos, apanhando muita porrada). Resultado: não temos influência no Conselho de Educação nem temos eleições para diretores, um atraso de 30 anos.

5.A bancada de Roraima na Câmara Federal, lamentavelmente, votou majoritariamente contra a PEC do trabalho escravo. Mais um vexame nacional para Roraima. Mas, ao contrário da bobagem do Fiuk, sobre a qual houve milhares de manifestações de repúdio nas redes sociais, praticamente NINGUÉM se importou com o fato de que a maioria de nossa classe política milita CONTRA o combate ao trabalho escravo.

6. As questões da mineração, dos direitos indígenas, da ameaça de uma hidrelétrica no Bem-Querer, a apuração dos escândalos na Saúde, na Educação, no Iteraima, no IPER, dos repetidos escândalos da terceirização, que deveriam estar no centro das atenções, parecem simplesmente não existir. Na maioria das vezes, quem fala sobre estas eleições parece que vive em outro planeta. Apoia A ou B por ser seu amigo, mesmo que esteja em um partido extremamente corrupto. Assim como há dois anos o péssimo transporte público de Boa Vista não foi pauta da campanha municipal. Difícil explicar isso.
Neste ano eleitoral, vemos que a conversa sobre política em Roraima (com raras exceções) continua um diálogo de surdos, que não avançou nem um milímetro em relação à velha idolatria do coronel Ottomar. Mas nem tudo se resume a esse aspecto lamentável da realidade. Alguns grupos de estudantes e professores, de trabalhadores e indígenas, de ativistas LGBT, alguns sindicatos livres, aqui e ali, sustentam um debate que ganha qualidade. Essa luta, que mostra a importância da organização coletiva e a futilidade de tantas manifestações despolitizadas, individualistas e voluntaristas, não vai ter resultados hoje, nesta eleição. Como dizia o narrador de O Germinal, no anticlímax de uma derrota dos trabalhadores, mesmo quando tudo parecia perdido e parecia impossível mudar aquela ordem social:

“Agora, em pleno céu, o sol de abril brilhava em toda sua glória, aquecendo a terra que germinava. Do flanco nutriz brotava a vida, os rebentos desabrochavam em folhas verdes, os campos estremeciam com o brotar da relva. Por todos os lados as sementes cresciam, alongavam-se, furavam a planície, em seu caminho para o calor e a luz. Um transbordamento de seiva escorria sussurrante, o ruído dos germes expandia-se num grande beijo. E ainda, cada vez mais distintamente, como se estivessem mais próximos da superfície, os companheiros cavavam. Aos raios chamejantes do astro rei, naquela manhã de juventude, era daquele rumor que o campo estava cheio. Homens brotavam, um exército negro, vingador, que germinava lentamente nos sulcos da terra, crescendo para as colheitas do século futuro, cuja germinação não tardaria em fazer rebentar a terra” (Emile Zola).

Há potencial, mas precisamos nos organizar e criar uma cultura de debate e formulação de propostas alternativas.

Há potencial, mas precisamos nos organizar e criar uma cultura de debate e formulação de propostas alternativas.





Fluxo de consciência entre a Praça do Congresso e o Largo de São Sebastião

10 06 2014

Manaus, metrópole cabocla. Em todos os sentidos.

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Não sei se a arquitetura manauara era kitsh em 1910. É possível. Mas para mim os casarões do ciclo da borracha são lindos. Não tenho tanta certeza se o kitsh de hoje será lindo daqui a cem anos.

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Uma das coisas que lembro de Manaus do tempo de criança é que a Fanta daqui era muito mais escura. Dizia-se que era por causa da água do Rio Negro. Até hoje me pergunto se isso era folclore.

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Manaus é um enigma fascinante para a História, para a Sociologia, para a Antropologia. Gosto muito dessa cidade, mesmo com todas as suas contradições. Mas admito que visita-la é um golpe para a autoestima de um roraimense: se Manaus é provinciana, Boa Vista é o quê?

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A “França Equinocial” micou, sob o ataque dos luso-brasileiros no século XVII. Mas quem diria que os ricaços da borracha ergueriam a versão delirante de uma Paris equatorial no final do XIX? Seu cimento era o suor dos seringueiros tapuios e nordestinos.





O ensino de História pode ser empolgante!

19 05 2014

Para quem adora DESAFIOS e gosta de investigar, aprender e ensinar: a Olimpíada Nacional de História do Brasil (ONHB), neste ano em sua sexta edição, é uma das coisas mais interessantes que estão acontecendo hoje no ensino de História. São equipes da educação básica, com seus professores, que se inscrevem e participam. Roraima tem sempre conseguido enviar equipes para as finais, principalmente com a garra da professora Eli Macuxi. No site vocês podem baixar as provas dos anos anteriores e ter muitas ideias para o ensino de História de forma muito prazerosa, resolvendo desafios a partir da análise de documentos:

https://skydrive.live.com/?cid=0983cec4e1d9466f&id=983CEC4E1D9466F!107&authkey=!AHI6YOlDcXpmuxs

6a ONHB





O LEGADO DA DESPOLITIZAÇÃO

11 02 2014

protestos

Vejam que interessante: a internet e as redes sociais deixaram muita gente deslumbrada. Falava-se em uma “revolução”, muita gente dizia que partidos e sindicatos eram coisa do passado. “O Gigante acordou” (e odeia bandeiras vermelhas).

As manifestações do Movimento Passe Livre (este sim, sério, com muita estrada já percorrida, de esquerda, com visão lúcida sobre a sociedade) ganharam apoio de milhares de pessoas com a brutal repressão sofrida em São Paulo em abril de 2013.

Então, muitas pessoas que nunca tinham saído às ruas, que foram ensinadas desde pequenas a detestar sindicatos e movimentos sociais, resolveram protestar também, em estado de indignação difusa. Mas ao invés de procurar entender o que estava acontecendo, ao invés de procurar aprender ou dialogar com jovens e velhos militantes, preferiram afirmar seus preconceitos formados pela Veja e Globo e transformar a história do Brasil em távola rasa. Ignorar tudo o que nos formou e começar do zero. Haveria um malvado grupo de monstrinhos chamados “políticos corruptos”. Bastava extirpar essa malvadeza que tudo começaria a funcionar bem – afinal, o sistema em que vivemos é ótimo, não? Só há problemas com políticos, um estranho grupo que veio não sei de onde, sem apoio de ninguém, para usurpar nosso país. Pra que tentar entender como se elege uma bancada ruralista? Pra que tentar entender como os bancos, as empreiteiras e as empresas de mídia mantém parte do Congresso, Governo e Judiciário em suas mãos? Nada disso! Basta gritar as palavras mágicas: basta de corrupção!

Esquerda e direita, luta de classes, luta anticapitalista – temas no centro dos debates dos movimentos sociais nas ruas da Europa hoje – aqui no Brasil foram descartados como velharias por muita gente que tentou se firmar como “liderança” das manifestações (com direito até a uma capa vergonhosa na Veja).

A internet resolveria tudo: tomada de decisões, formulação de propostas, convocações para marchas sem objetivos definidos, votações tresloucadas coletando votos para pena de morte, volta da ditadura etc. E um aprendizado político em velocidade relâmpago!

Qual foi o resultado? Façam uma experiência: passeiem pelos grupos aqui desta rede social criados para o debate político – do tipo “Política no Currículo”, “Liberdade de Expressão Roraima”, “Reforma Política”, “Voto Consciente”.

Não há debate algum lá. Não se ultrapassou o limite da superficialidade, da alienação política, da despolitização.

Restam milhares de anúncios repetidos do tipo “Ganhe dinheiro com a internet”, “Cobro R$ 100 por mil likes no seu anúncio” ou “Empréstimo na hora”. E o mais bizarro: algumas pessoas bajulando os donos do poder local, tentando nos convencer que nosso estado de Roraima é um pedacinho do céu e que nossos governantes não poderiam ser melhores. Não vou nem falar daqueles bem partidários do tipo “Chega de Corrupção”, que só enxergam corrupção em um único partido…

Se depender de tanta gente que desqualificou a luta sindical e partidária, dizendo que “não existe mais direita e esquerda”, não temos como esperar um resultado muito diferente nas eleições estaduais deste ano.