Agende-se: programação cultural do SESC

25 02 2011

Calendário Cultural do SESC 2011
Ter, 22 de Fevereiro de 2011 15:05 | Escrito por Paulo Thadeu |
(fonte: http://www.fecomerciorr.com.br/sitio/component/content/article/39-agenda-cultural-sesc/408-calendario-cultural-do-sesc-2011.html)

A Gerência de Cultura do Sesc-RR divulga neste mês de fevereiro, o calendário de eventos culturais para 2011, com destaque para a Mostra Canta Roraima, que acontece em abril e este ano chega á sua sexta edição.
Na programação deste ano constam grandes projetos de itinerância nacional como o Sesc Amazônia das Artes e o Palco Giratório, além de eventos locais como o Fest Rock, Mostra de Dança, Aldeia Cruviana, Mostra de Curtas, o Prêmio Sesc de Literatura e a Feira de Livros.
Conheça um pouco de cada evento e coloque na sua agenda a data da realização de cada um, para não perder esse verdadeiro caldeirão de cultura que o Sesc lhe proporciona.

VI Mostra Canta Roraima
Data: 09 de abril de 2011 (sábado)
Local: Teatro Jaber Xaud

A mostra Canta Roraima tem como objetivo a criação e difusão da diversidade musical na qual se busca a sonoridade característica do estado de Roraima. Incentiva a pesquisa musical local e possibilita a troca de experiências técnicas e do conhecimento musical, através da integração entre compositores, instrumentistas e intérpretes do cenário musical do estado de Roraima.

Mostra SESC Amazônia das Artes
Data: 22 de abril a 01 de maio.
Local: Teatro Jaber Xaud e espaços alternativos

A mostra tem como objetivo promover um intercâmbio cultural entre os estados que compõem a Amazônia Legal – um conceito político e geográfico que delimita uma área composta por dez estados de aspectos econômicos e sociais semelhantes. Trabalhos de dança, música, teatro e artes plásticas oriundos desses estados estarão se apresentando durante uma semana na cidade de Boa Vista. O show “Batida Brasileira” com a cantora Euterpe foi o trabalho escolhido para representar o estado de Roraima no projeto.

Palco Giratório
Data: abril a outubro
Local: teatro Jaber Xaud

O projeto Palco Giratório, criado pelo Departamento Nacional do SESC em 1998, representa, hoje, um dos mais importantes projetos de difusão das artes cênicas no Brasil e América Latina. Com objetivo de descentralizar as apresentações teatrais e de dança dos grandes centros brasileiros, o projeto permite que a população tenha acesso a produções de qualidade de forma gratuita ou com preços simbólicos em alguns Estados. Com uma programação diversificada incluindo apresentações, diálogos entre artistas visitantes e artistas locais (Pensamento Giratório), Oficinas e Intervenções .

III Mostra de Dança do SESC
Data: 3 a 11 de julho
Local: Teatro Jaber Xaud

A III mostra SESC de dança, tem por finalidade oferecer oportunidades para a apresentação de grupos organizados e praticantes das mais diversas formas de dança, contribuindo para o aprimoramento das atividades desenvolvidas, bem como a divulgação dos conhecimentos técnicos desta área. Além das apresentações dos grupos locais, espetáculos de outros estados também serão apresentados na mostra.

Aldeia Cruviana
Data: 29 de setembro a 08 de outubro
Local: diversos

Em seu terceiro ano de realização, a Aldeia Cruviana já vai se consolidando como o maior evento cultural do Estado, trazendo uma miscelânea de eventos de todas as vertentes e reunindo desde artistas populares a profissionais de várias áreas. O evento é um espaço de discussão, debate, pesquisa e difusão das mais variadas linguagens artísticas, que possibilita uma imersão cultural, uma observação do quadro da produção artística local. Provoca uma discussão sobre essa mesma produção em confronto com as produções regionais e nacionais, trazendo como resultado um panorama abrangente de nossa realidade

Prêmio de Literatura SESC-RR
Período – junho a outubro

O Prêmio de Literatura SESC-RR 2010 tem por objetivo premiar textos inéditos, escritos em língua portuguesa, por autores brasileiros ou estrangeiros residentes no Estado de Roraima, nas categorias literárias Poesia e Conto.

VII Fest Rock
Data: 05 e 06 de agosto
Local: Ginásio de esportes do SESC

O Roraima Sesc Fest Rock é um festival voltado à difusão e fortalecimento da cultura do Rock, realizado anualmente em Boa Vista-RR e promovido pelo SESC-RR. Dele participam bandas nacionais, regionais e bandas locais selecionadas em edital e participação em prévias seletivas, a fim de democratizar a participação de todas as bandas autorais em atividade na cena musical do estado de Roraima.

XXI Feira de Livros SESC
Data: 7 a 12 de novembro
Local: Ginásio do SESC
Aberta a todos os segmentos do mercado livreiro do país, a tradicional feira é uma oportunidade única no Norte do país para aproximar o universo do livro e seu público.

Mostra de Curtas
Data: 10 e 11 de dezembro
Local: CineSESC

A Mostra tem como objetivo estimular e difundir a produção audiovisual roraimense, e traçar paralelos com produções realizadas em outros estados, além de trazer ao público discussões sobre a cinematografia local e nacional.





Multinacionais automotivas “investem” US$ 3,6 bilhões, mas mandam US$ 12,4 bilhões para fora do país

22 02 2011

Prezad@s leitor@s: reproduzo abaixo importante matéria sobre a remessa de lucros das multinacionais para suas matrizes no exterior… Dois presidentes brasileiros já caíram ao tentar limitar essas remessas de lucros, que empobrecem o país.

Escrito por: Agência Sindical/ CUT

A remessa abusiva de lucros das multinacionais a seus países de origem é, por si só, a denúncia cabal do modelo colonial de economia ainda vigente. E esse verdadeiro muro da vergonha da exploração capitalista internacional, acabada a guerra fria e instaurada a globalização da economia, insiste em se manter em pé, perpetuando a espoliação.

Ilustra, objetivamente, esse quadro artigo assinado na revista CartaCapital, número 633, por Fernando Sarti e Célio Hiratuka, professores do Instituto de Economia da Unicamp. Um aspecto que vale a pena destacar, também, é a enxurrada de dinheiro público, do BNDES, a essas multinacionais. As remessas feitas ano passado equivalem a quase dez vezes os investimentos dessas filiais em nosso País.

Diz o texto:

“As remessas das filiais automotivas para os debilitados caixas de suas matrizes atingiram a expressiva soma de US$ 4 bilhões, em 2010, o que representou um valor quase dez vezes maior do que os investimentos externos realizados por essas filiais no mesmo período (450 milhões de dólares). Repete-se, assim, o movimento já observado durante e após a crise. Se considerarmos o período 2008-2010, as remessas de lucros e dividendos das empresas automotivas totalizaram US$ 12,4 bilhões ante investimentos externos de apenas US$ 3,6 bilhões, o que significa um saldo líquido negativo de US$ 8,8 bilhões, em que pese o excelente desempenho das vendas e da produção na economia brasileira”.

Dizem mais os professores da Unicamp:

“Ao mesmo tempo que as remessas ao exterior se elevaram, as empresas do setor automotivo tomaram financiamentos de US$ 8,7 bilhões (aproximadamente, R$ 16,3 bilhões) ao BNDES, no período 2008-2010. Por outro lado, a média anual de investimentos produtivos foi da ordem de US$ 2 bilhões para as montadoras e de US$ 1,3 bilhões para as autopeças nos últimos anos. Isso significa que quase a totalidade dos recursos necessários para financiar seus investimentos saiu dos cofres públicos, enquanto parcela expressiva dos lucros foi transferida para as matrizes”.

Os autores do artigo também chamam atenção para a falta de contrapartidas quando dos generosos financiamentos pelo BNDES. Mas a farra do dinheiro fácil e da renúncia fiscal é faca de dois gumes, alertam os professores, que concluem: “Sem mais e melhores investimentos, o País e o próprio setor automotivo correm sério risco de perder competitividade e reduzir quantitativa e qualitativamente sua inserção na rede corporativa global”.

Mais informações:

http://www.cartacapital.com.br





A luta de classes política nos Estados Unidos

21 02 2011

[Reproduzo aqui artigo de Jeffrey Sachs publicado no http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17290&alterarHomeAtual=1%5D

A luta de classes política nos Estados Unidos
O nível de corrupção política nos Estados Unidos é assombroso. Agora tudo gira em torno do dinheiro para as campanhas eleitorais que se tornaram incrivelmente caras. As eleições da metade do mandato tiveram um custo estimado de US$ 4,5 bilhões, e a maior parte desse dinheiro veio de grandes empresas e contribuintes ricos. Estas forças poderosas, muitas das quais operando de forma anônima sob as leis dos EUA, trabalham sem descanso para defender aqueles que se encontram no topo da pirâmide da riqueza. O artigo é de Jeffrey Sachs.
Jeffrey Sachs – SinPermiso
Os Estados Unidos estão em rota de colisão consigo mesmo. O acordo firmado em dezembro entre o presidente Barack Obama e os republicanos no Congresso para manter os cortes de impostos iniciados há uma década pelo presidente George W. Bush está sendo saudado como o começo de um novo consenso bipartidário. Creio, ao contrário, que é uma falsa trégua naquilo que será uma batalha campal pela alma da política estadunidense.

Do mesmo modo que ocorre em muitos países, os conflitos sobre a moral pública e a estratégia nacional se reduzem a questões envolvendo dinheiro. Nos Estados Unidos, isso é mais certo do que nunca. O país tem um déficit orçamentário anual ao redor de US$ 1 trilhão, que pode aumentar ainda mais como resultado de um novo acordo tributário. Esse nível de endividamento anual é demasiadamente alto. É preciso reduzi-lo, mas como?

O problema é a política corrupta e a perda de moral cívica dos EUA. Um partido político, o Republicano, aposta em pouco mais do que reduzir os impostos, objetivo que coloca acima de qualquer outro. Os democratas têm um leque mais amplo de interesses, como o apoio ao serviço de saúde, a educação, a formação e a infraestrutura. Mas, como os republicanos, também estão interessados em presentear com profusão cortes de impostos para seus grandes contribuintes de campanha, entre os quais predominam os estadunidenses ricos.

O resultado é um paradoxo perigoso. O déficit orçamentário dos EUA é enorme e insustentável. Os pobres são espremidos pelos cortes nos programas sociais e um mercado de trabalho fraco. Um em cada oito estadunidenses depende de cartões de alimentação para comer. No entanto, apesar deste quadro, um partido político quer acabar com as receitas tributárias por completo, e o outro se vê arrastado facilmente, contra seus melhores instintos, na tentativa de manter contentes seus contribuintes ricos.

Este frenesi de cortes de impostos vem, incrivelmente, depois de três décadas de um regime tributário de elite nos EUA, que favoreceu os ricos e poderosos. Desde que Ronald Reagan assumiu a presidência em 1981, o sistema orçamentário dos Estados Unidos se orientou para apoiar a acumulação de uma imensa riqueza no topo da pirâmide da distribuição de renda. Surpreendentemente, o 1% mais rico dos lares estadunidenses tem agora um valor mais alto que o dos 90% que estão abaixo. A receita anual dos 12 mil lares mais ricos é maior que o dos 24 milhões de lares mais pobres.

O verdadeiro jogo do Partido Republicano é tratar de fixar em seu lugar essa vantagem de receitas e riquezas. Temem, corretamente, que cedo ou tarde todo o mundo comece a exigir que o déficit orçamentário seja atacado, em parte, elevando os impostos para os ricos. Depois de tudo o que ocorreu, os ricos vivem melhor do que nunca, enquanto que o resto da sociedade estadunidense está sofrendo. Tem todo sentido aplicar mais impostos aos mais ricos.

Os republicanos se propõem a evitar isso a qualquer custo. Até aqui tiveram êxito. Mas querem fazer com que sua vitória tática – que propõe o reestabelecimento das taxas tributárias anteriores a Bush por dois anos – seja seguida por uma vitória de longo prazo na próxima primavera. Seus líderes no Congresso já estão dizendo que vão cortar o gasto público a fim de começar a reduzir o déficit.

Ironicamente, há um âmbito onde certamente se justifica fazer grandes cortes orçamentários: as forças armadas. Mas esse é o tema que a maioria dos republicanos não vai tocar. Querem cortar o orçamento não mediante o fim da inútil guerra no Afeganistão e a eliminação dos sistemas de armas desnecessários, mas sim cortando recursos da educação, da saúde e de outros benefícios da classe pobre e trabalhadora.

Ao final, não creio que o consigam. No momento, a maioria dos estadunidenses parece estar de acordo com os argumentos republicanos de que é melhor diminuir o déficit orçamentário mediante cortes de gastos ao invés de aumento de impostos. No entanto, quando chegar a hora de fazer propostas orçamentárias reais, haverá uma reação cada vez maior.

Prevejo que, empurrados contra a parede, os estadunidenses pobres e da classe trabalhadora começarão a se manifestar por justiça social.
Isso pode levar tempo. O nível de corrupção política nos Estados Unidos é assombroso. Agora tudo gira em torno do dinheiro para as campanhas eleitorais que se tornaram incrivelmente caras. As eleições da metade do mandato tiveram um custo estimado de US$ 4,5 bilhões, e a maior parte desse dinheiro veio de grandes empresas e contribuintes ricos. Estas forças poderosas, muitas das quais operando de forma anônima sob as leis dos EUA, trabalham sem descanso para defender aqueles que se encontram no topo da pirâmide da riqueza.

Mas não nos equivoquemos: ambos partidos estão implicados. Já se fala que Obama vai arrecadar US$ 1 bilhão ou mais para sua campanha de reeleição. Esta soma não virá dos pobres.

O problema para os ricos é que, tirando os gastos militares, não há mais espaço para cortar o orçamento do que em áreas de apoio básico para a classe pobre e trabalhadora. Os EUA realmente vão cortar os auxílios de saúde e as aposentadorias? O orçamento será equilibrado reduzindo-se o gasto em educação, no momento que os estudantes dos EUA já estão sendo superados por seus colegas da Ásia? Os EUA vão, de fato, permitir que sua infraestrutura pública siga se deteriorando? Os ricos tratarão de impulsionar esse programa, mas ao final fracassarão.

Obama chegou a poder com a promessa de mudança. Até agora não fez nenhuma. Seu governo está cheio de banqueiros de Wall Street. Seus altos funcionários acabam indo se unir aos bancos, como fez recentemente seu diretor de orçamento, Peter Orszag. Está sempre disposto a atender os interesses dos ricos e poderosos, sem traçar uma linha na areia, sem limites ao “toma lá, dá cá”.

Se isso seguir assim, surgirá um terceiro partido, comprometido com a limpeza da política estadunidense e a restauração de uma medida de decência e justiça. Isso também levará um tempo. O sistema político está profundamente ligado aos dois partidos no poder. No entanto, o tempo da mudança virá. Os republicanos acreditam que têm a vantagem e podem seguir pervertendo o sistema para favorecer os ricos. Creio que os acontecimentos futuros demonstrarão o quanto estão equivocados.

(*) Jeffrey Sachs é professor de Economia e Diretor do Earth Institute da Universidade de Columbia. Também é assessor especial do secretário geral das Nações Unidas sobre as Metas de Desenvolvimento do Milênio.

Traduzido do inglês para http://www.project-syndicate.org por David Meléndes Tormen.

Tradução para Carta Maior: Katarina Peixoto