Petrobras: que diferença…

19 10 2010

Há mistérios insondáveis na política brasileira e na produção dos fatos e versões da história recente do país.

Serra, que emitiu uma nota técnica instruindo os hospitais do SUS a atenderem os casos de aborto em 1998, quando era ministro da Saúde, agora usa o tema para atacar Dilma. A mulher de Serra em campanha diz para as pessoas “Dilma é a favor de matar as criancinhas”.

O mesmo candidato passou algumas semanas alardeando que o sigilo dos dados da declaração de imposto de renda dele e de sua filha teriam sido violados (no que se revelou ser crime comum, sem relação com a campanha de Dilma Roussenf). Prontamente, sem provas, acusou a adversária de ter tramado tudo, em mais um factóide do tipo dossiê. É engraçado, o PT, segundo o PSDB, vive a produzir dossiês que nunca são divulgados. Para que serve um dossiê com denúncias sobre o adversário, guardado em uma gaveta? No entanto, nem ele nem a grande mídia serrista (Globo, Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, Veja, Época etc…) se preocuparam com a quebra do sigilo de 60 milhões de brasileiros pela empresa de Verônica Serra e Verônica Dantas (ela mesma, irmã do banqueiro Daniel Dantas), em janeiro de 2001. Veja a notícia aqui.

Mas o que mais me intriga é a comparação entre o desempenho da Petrobras no tempo do Serra-FHC e durante o governo de Lula-Dilma. Agora Serra, que foi ministro do Planejamento de FHC e incentivou as privatizações entusiasticamente, diz que não é a favor de privatizações, de jeito nenhum. Aloísio Biondi, há dez anos atrás, destacava ospodres da privataria. David Zylberstajn, genro de FHC nomeado por ele presidente da Petrobrás e depois da ANP (aí não é nepotismo, né pessoal?), seria o encarregado, segundo Biondi, de preparar o terreno para a privatização da petroleira brasileira. Chegou a tirar o acento do nome da empresa, dizendo que isso facilitaria a internacionalização da Petrobrás (como lembrou o Elio Gaspari, esqueceram de dizer isso à Nestlé, que nunca tirou o acento de sua marca). Chegaram a cogitar mudar o nome para PETROBRAX… Mas a população brasileira certamente não veria com bons olhos a privatização da Petrobrás. Afinal, já tínhamos vivido o apagâo elétrico e o apagão telefônico das empresas privatizadas. E a grana da venda da Vale, das siderúrgicas, da Embraer, das telefônicas e das distribuidoras de energia nunca foi visto na saúde e na educação, como fora alardeado. Assim, de acordo com Biondi, a estratégia era produzir uma série de trapalhadas e sabotagens para destruir a imagem de competência construída pela Petrobrás em mais de 50 anos de existência e voltar a opinião pública contra ela.

De concreto mesmo, temos as inúmeras emendas que subverteram em grande parte a Constituição de 1988, eliminando as proteções à empresa nacional, o monopólio estatal do petróleo (além da destruição sistemática de direitos dos trabalhadores). Será exagero do Biondi? Seria uma teoria conspiratória sem fundamento?

Talvez. Mas não consigo entender um negócio:

No tempo do governo FHC-Serra, por volta de 2000, houve uma série de desastres envolvendo a Petrobras: o derrame de petróleo da Baía da Guanabara, o vazamento no rio Iguaçu (PR) e, como a cereja do bolo da herança tucana, o afundamento da maior plataforma petrolífera do mundo, a P-36. Vocês se lembram? Veja o vídeo aqui.

Se não foi sabotagem, como se explica tamanha incompetência ou azar no período FHC-Serra, se nenhum evento desse tipo ocorreu em oito anos de governo Lula-Dilma?

Anúncios

Ações

Information

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




%d blogueiros gostam disto: