NÃO EXISTE CORRUPÇÃO EM RORAIMA!

14 01 2009

Outro dia, estava conversando com um amigo que anda meio atordoado com o que vê por aqui. Ele não anda nada bem. Tanto que veio com uma nova tese: a de que não existem corruptos em Roraima. O diálogo foi mais ou menos assim:
– E aí, André, tudo bem?
– Mais ou menos. E você? Tu andavas tão soturno, te falei para parar de ler a página de política dos jornais…
– Nada disso. Estou muito bem. Satisfeitíssimo. Agora, tudo se encaixa.
– Como assim?
– André, é muito simples. A gente ficava se lamentando, esbravejando, dizendo “Até quando, isso!”. Mas estávamos iludidos por uma perspectiva pessimista das coisas.
Nesse momento, pensei: “Essa história mal começou, mas me parece coisa do Dr. Pangloss, o incorrigível otimista”. Mas pedi para ele continuar, só para ver aonde tudo isso ia dar. Ele prosseguiu:
– Meu caro, veja só: nós sempre pensamos que tudo por aqui estava mergulhado em um mar de corrupção, mas nos sentíamos impotentes para fazer alguma coisa a respeito, certo?
– Certo.
– A cada instante, essa forma de ver as coisas parecia ser corroborada por uma unanimidade, pois todas as pessoas que conhecemos falam sobre uma corrupção fora de controle, não é mesmo?
– É verdade!
– Na educação, na agricultura, nas obras públicas… Tínhamos a convicção de que tudo é posto a perder pelo roubo escancarado por parte de grupos oligárquicos e arrivistas que superam-se uns aos outros na desfaçatez com que esfregam em nossos narizes as mansões e os carros luxuosos que adquirem com o fruto de suas malfeitorias, não era isso?
– Sim, só não entendo por que colocas isso no passado! Continuo acreditando nisso!
– Mas aí é que você se engana, meu amigo! Agora compreendo tudo e graças a essa compreensão posso dormir mais tranquilo!
– Esclarece-me, então, para que eu possa também dormir melhor esta noite!
– Veja: há aqui uma Controladoria do Estado, um Tribunal de Contas do Estado com um número respeitável de servidores dedicados a fiscalizar o bom uso do dinheiro público, 365 dias por ano, sete dias por semana; uma Vara de Fazenda Pública, um Ministério Público Estadual e outro Federal; uma Justiça Eleitoral; um escritório da Controladoria Geral da União, temos a polícia civil, a polícia militar, a polícia federal, temos jornais prontos a fiscalizar e investigar.
– Certo, temos tudo isso.
– Além disso, há órgãos federais destinados a fiscalizar movimentações financeiras suspeitas, um Tribunal de Contas da União, um Congresso eleito e uma miríade de leis extremamente rigorosas para o combate à corrupção.
– Bem, é verdade! Mas…
– No entanto, com toda essa imensa e complexa estrutura anticrime, não existe uma única pessoa presa por corrupção no estado.
– Justamente!
– E aquelas pessoas que, injustamente, julgávamos culpadas de determinados crimes aparecem nas colunas sociais dos jornais que fiscalizam os poderosos, são condecorados por nossos representantes eleitos e continuamente são reeleitos, ano após ano, década após década. A única conclusão possível, meu caro, é a de que não existe, nem nunca existiu corrupção nesta terra! Não há nem nunca houve corruptos por aqui!
– Mas…
– NUNCA! Está me ouvindo?
– Mas há outra hipótese possível – já que estamos falando sobre hipóteses possíveis.
– Qual?!
– A de que toda a estrutura esteja montada para que nenhum crime desse tipo seja elucidado e punido… E para que os que querem justiça sejam impedidos de agir, e para que os que podem agir não o queiram.
Meu amigo ficou calado, olhou para um lado, meditou por alguns segundos e voltou àquele estado soturno que era sua marca já há algum tempo.

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