Participe de mais uma pesquisa político-humorística…

21 01 2010




Fundamental: entrevista com Mario Maestri

20 01 2010

http://www.correiocidadania.com.br/content/view/4214/
Meus caros amigos, eis aí a melhor análise que li até o momento sobre a conjuntura nacional e mundial. Dêem uma olhada… Vamos debater esse material.





Para entender como o Haiti se tornou o que é

20 01 2010

Artigo do Eduardo Galeano em http://www.correiocidadania.com.br/content/view/4240/9/

Vejam um pequeno trecho:

“Os Estados Unidos invadiram o Haiti em 1915 e governaram o país até 1934. Retiraram-se quando alcançaram seus dois objetivos: cobrar as dívidas do City Bank e revogar o artigo constitucional que proibia a venda de terras aos estrangeiros. Robert Lansing, então secretário de Estado, justificou a prolongada e feroz ocupação militar explicando que a raça negra é incapaz de se governar por si mesma, que possui “uma tendência inerente à vida selvagem e uma incapacidade física de civilização”. Um dos responsáveis pela invasão, William Philips, havia elaborado anteriormente a sagaz idéia: “Esse é um povo inferior, incapaz de conservar a civilização que tinham deixado os franceses”.

O Haiti havia sido a pérola da corona, a colônia mais rica da França: uma grande plantação de açúcar, com força de trabalho escrava. No espírito das leis, Montesquieu o havia explicado sem travas na língua: “O açúcar seria demasiado caro se não trabalhassem os escravos para sua produção. Esses escravos são negros desde os pés até a cabeça e têm o nariz tão esmagado que é quase impossível ter deles alguma pena. Resulta impensável que Deus, que é um ser muito sábio, tenha posto uma alma e, sobretudo, uma alma boa num corpo inteiramente negro”.





Análise imperdível sobre Chávez e a liberdade de imprensa

20 01 2010

Amigos, leiam! Vale à pena! http://www.correiocidadania.com.br/content/blogcategory/44/105/





Por que insistem em dizer que a Venezuela é uma ditadura?

20 01 2010




O perdão dos criminosos da ditadura é irreversível?

20 01 2010

Reproduzo abaixo artigo do Mário Maestri (impecável, como sempre), publicado na Revista Consciência.net:

O perdão dos criminosos da ditadura é irreversível?

Por Mário Maestri em 17/01/2010

Do alto dos seus 62 anos como advogado, evocando mestres falecidos mas não esquecidos, colegas, juízes e desembargadores exemplares com quem conviveu, Paulo Brossard pontificou, na Zero Hora de 4 de janeiro, com a gravidade do patriarca entre os senadores, ao pronunciar-se já mais para a história do que para seus pares e ouvintes: “A anistia é irreversível”. O ex-ministro da Justiça e do Supremo Tribunal Federal referia-se, é claro, à Lei nº 6.683, apresentada e sancionada pelo general em turno, em agosto de 1979, anistiando parcialmente os atos de resistência à ditadura e, em forma plena, total e irrestrita, os crimes por ela cometidos contra a população brasileira.

Literalmente liquidando a proposta de violação da anistia, “concebida nos altos escalões do governo federal ou quem sabe dos baixos [sic]”, invocou seu mestre José Frederico Marques que “ensina o que é corrente entre tratadistas”, – a anistia é “ato legislativo em que o Estado renuncia ao direito de punir”. Uma “verdadeira revogação parcial, hic et nunc, de lei penal”. Competindo ao Legislativo a concessão da anistia, após a promulgação, nem por ele pode ser revogada, sob pena de inconstitucionalidade. Interdição que eleva a “dogma”jurídico, pois a “lei penal só retroage quando benéfica ao acusado [...]”. Daí a “irrevogabilidade”. Apagado para sempre, o delito não será restabelecido, sob pena de “retroatividade”.

Não haveria dúvidas. O constitucionalista lembra que a norma jurídica não se regeria-imporia por suajustiça, mas por sua vigência. Propõe até mesmo que a “anistia pode ser mais ou menos justa” e, portanto, até mesmo injusta. Definitivamente, o “expediente articulado nos meandros [sic] do Planalto”, constituiria, para ele, o que em Direito denomina-se de inépcia. Coisa, folga dizer, de ineptos. Porém, para Brossard, a justiça não seria o “caráter marcante” da anistia, o qual se encontraria na obtenção da “paz” – um efeito que escaparia, assim, da esfera jurídica para se realizar na esfera social. Lembra que a versão da anistia aprovada em 1979, propostasobretudo pela oposição consentida, defendia “anistia recíproca” para, segundo ele, pacificar as “duas partes em que o país fora dividido”.

Destaque-se a contradição dessa última leitura: uma anistia, apesar de irrevogável, caso comprometesse a “paz social”, perderia sua principal razão de ser! E, desnecessário dizer, se concordamos com o juridicismo geral de Brossard, teríamos que aceitar que, após uma hipotética vitória ou empate do nazismo na II guerra, uma auto-anistia, através de ato legislativo, asseguraria para Hitler, Goebbels, Himmler e caterva o direito, sob a proteção da lei, devido à extinção dos crimes para todo o sempre, de morrerem em suas camas, após gozarem de polpudas aposentadorias de ex-dirigentes do Estado. E sem sequer a obrigação de indicar onde enterraram as cinzas dos milhões de martirizados!

Justiça e Injustiça

Erra Paulo Brossard, no geral e particular. Não há normas e dogmas jurídicos por sobre os direitos dos homens e mulheres, reconhecidos e materializados na e através da história. Exemplifico com realidades conhecidas até mesmo pelos não “tratadistas”. No Brasil, o direto do negreiro sobre o cativo foi a base objetiva do estatuto da propriedade, reafirmado pelos costumes e disposições jurídicas e constitucionais. Nos tribunais do RS, por ofensas à ordem escravista, trabalhadores escravizados eram condenados a mil e quinhentas chicotadas e lanhados como uma peça de charque até a morte. Apesar de atos jurídicos perfeitos, aquela propriedade e aquelas penas terroristas eram social e moralmente ilegais, crimes cometidos sob a vigência das leis de então.

Apoiados na lei, os escravizadores lembraram que o fruto da propriedade não podia ser expropriado sem indenização. Que lhes foi concedida, parcialmente, quando a lei de 1871 determinou a liberdade condicional dos filhos das cativas nascidas após aquele ato. Em 1888, os escravistas não discutiam a moralidade da propriedade sobre o cativo, lembrando apenas, com razão, que era preceito legal e constitucional, portanto, necessariamente indenizável, no caso de extinção. Naquela vez não levaram nada – governantes e forças mais “vivas da nação” preocupavam-se já com o financiamento da vinda dos novos negros, os imigrantes, e despreocupavam-se com a indenização legal da “lavoura andrajosa”.

Naqueles tempos, o negro Luís Gama, após fugir ao cativeiro ilegal, cursou parcialmente como ouvinte a Escola de Direito do Largo de São Francisco e, já advogado provisionado, libertou talvez um milhar de cativos. Ele defendia que o ”escravo que” matasse o “senhor” praticava “ato de legítima defesa”. À margem de todas as normas jurídicas de então – e atuais –, apenas reafirmava o direito social e histórico do homem de lutar por sua liberdade essencialmente violada, com as armas de que dispuser e crer necessárias.

Em 1888, devido à nova correlação social de forças, a propriedade sobre o trabalhador, ato legal e constitucional perfeito, foi violada e enterrada inapelavelmente, aflorando em maior grau, ainda que imperfeito, ajustiça social e histórica, própria aos homens. Abandonemos, portanto, o filisteísmo e fetichismo da lei petrificada por sobre os direitos dos povos à justiça.

Ato Imperfeito

Porém, Brossard erra em forma mais substancial. A anistia de 1979 constituiu um ato imperfeito, nascido e corrompido pela situação de exceção, em que a ordem militar mantinha-se pela força da violência e do apoio dos grandes proprietários do país e do mundo. Ela foi apenas uma iniciativa parida pela necessidade de garantir, ainda que em forma limitada, os direitos violados de milhares de homens e mulheres. Em um sentido essencial, estes últimos não foram perdoados e não tiveram ações criminosas e delitivas extintas. Não havia o que perdoar, extinguir ou esquecer, ao não terem cometido qualquer crime e delito. Haviam sido e eram perseguidos por ações legítimas, necessárias, morais e ética de oposição aos agressores dos direitos da população brasileira. Tinham exercido o direito e o dever inarredável do oprimido de levantar-se, de todas as formas, contra a opressão grave, referido por Luís Gama. Ato de anistia ao quais os responsáveis máximos pela violação dos direitos cidadãos e nacionais tentaram astutamente enganchar o perdão das ações suas e de seus agentes, essas sim social e historicamente criminosas.

O preclaro Paulo Brossard certamente escutou, ainda adolescente, nos bancos ginasiais, quando das aulas de religião, a lição de que o sacerdote não pode absolver a si e a quem com ele peca. Não podiam absolver nem que fosse por tabela, através do parlamento concedido, emasculado e moldado pela ditadura, em 1979. Não há auto-anistia, ainda mais quando se trata de atos cometidos à sombra da proteção do Estado, de tal gravidade que já são considerados pelo pensamento jurídico internacional como imprescritíveis e não anistiáveis, em uma indiscutível procura de adequação aos direitos sociais e históricos dos povos.

Um Crime Sem Fim

O princípio da imprescritibilidade e inextinguibilidade de crimes de Estado – genocídio, tortura, assassinato, desaparecimento, etc. – tem sido materializado, ali onde a população mobilizada alcança fazer valer em forma mais perfeita a punição de seus ofensores. Nos últimos anos, tem sido anuladas anistias de crimes de Estados concedidas pelos próprios governos criminosos ou por administrações e parlamentos democraticamente eleitos, lançando-se na lixeira das justificativas jurídico-ideológicas os causuísmos com os quais se pretende defender aqueles crimes e criminosos. É o caso da Argentina, onde ditadores, militares e policiais são levados à Justiça, devido à anulação de leis de anistia como a da “Obediência devida”, do “Ponto Final” e os indultos de Carlos Menem (1989-1999). A mesma responsabilização judicial de criminosos de Estado se procede, ainda em forma mais parcial, no Chile e Peru, onde o ex-presidente Fujimori encontra-se já condenado e preso.

Paulo Brossard não se engana apenas por defender casuisticamente a vigência e inarredabilidade de lei imperfeita, que agride a essência da justiça e a legalidade. Erra sobretudo por tentar resgatar indiretamente a ação da ditadura. O que registra, em forma clara e explícita, ao propor que aquele diploma legal buscasse a paz, ao enterrar as divergências e os eventuais excessos das “duas partes em que o país foi dividido”. Identifica, em forma inaceitável, a vítima ao vitimador, o violentador ao violentado, como na Europa atual procura-se confundir os partigiani aos fascistas italianos; os maquisards aos vichistas franceses; os republicanos aos falangistas espanhóis. Procura-se resgatar, desse modo, lá e aqui, a ação e os atos dos criminosos de Estado, preservando seus quadros, ainda vivos e, sobretudo suas memórias, com as decorrências políticas e sociais inevitáveis para o presente e futuro.

As propostas de revisão da anistia do Plano Nacional dos Direitos Humanos, apenas apresentado, quanto aos crimes e criminosos da Ditadura Militar (1964-1985) são atrozmente limitadas, sobretudo em relação aos avanços realizados em alguns países da América Latina. Não almejam mais do que a revelação dos destinos dosdesaparecidos pela ditadura e eventual nominação dos responsáveis diretos. Em parte, a enorme resistência que enfrentam essas tímidas respostas deve-se às posições institucionais que ocupam ainda responsáveis diretos e indiretos por aqueles atos. Sobretudo, ela nasce da vontade dos núcleos centrais das grandes classes proprietárias de manter intocado o direito de impor a exceção e a violência direta e geral sobre a população, quando seus privilégios estejam ameaçados ou assim o exijam. Razão que explica o amplo esforço de apoio à impunidade de oficiais e policiais torturadores, estupradores e assassinos, em alguns casos, confessos.

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(*) Mário Maestri, 61, é historiador. Participou como estudante da resistência contra a ditadura. Foi preso, em 1969, e viveu no exílio de 1971 a 1977. É-mail: maestri@via-rs.net

fonte: http://www.consciencia.net/?p=3742





Congresso dos estudantes da UFRR? Tem certeza?

12 11 2009

Olha, eu queria saber se é verdade mesmo o que ouvi por aqui. Houve um congresso dos estudantes da UFRR. OK, os cartazes e painéis espalhados pelo campus e pela cidade eram pra lá de esquisitos, com aquelas meninas fantasiadas de patricinhas, empunhando ora um megafone, ora uma bandeira com o símbolo da reciclagem, como se isso fosse a coisa mais “irada”, “radical” e subversiva do momento.

Parecia haver uma confusão de referências: alguém disse que a intenção era fazer uma referência às lutas de 68. Mas aquele visual simbolizaria justamente o tipo de gente, de comportamento que era alvo dos movimentos da contracultura! Quem marchava contra a guerra do Vietnã, quem apoiava os Panteras Negras, quem apoiava a luta pelos direitos civis, quem enfrentava os tanques em Praga, quem marchava no enterro do Edson Luís não se vestia daquele jeito, pelamordedeus!

Nenhum dos meus alunos se reconhecia naquela caricatura de juventude mostrada nos cartazes do tal congresso.

Agora, mais um choque: alguns alunos que participaram do congresso me disseram que o eventou foi aberto com a fala de… Mozarildo Cavalcante e Anchieta Jr.!!!! Não satisfeita com isso, a organização do Congresso teria ainda colocado em votação (vitoriosamente) a redução da representação estudantil para 15 ou 17% na eleição para reitor.

Amigos, colegas, por favor, me digam: é mentira, né? Isso não aconteceu, né? O DCE não transformou a UFRR na única universidade do mundo em que os estudantes pedem para reduzir sua participação, seus direitos, seu poder de voto? O único lugar do mundo em que um Diretório de Estudantes só chama gente da direita, classe dominante, dos responsáveis por todo o descalabro, por toda a injustiça, para dizer aos jovens como devem agir?

Isso só pode ser um pesadelo!





Qual é a cara de Roraima?

11 11 2009

Em outubro, o SEBRAE-RR lançou uma campanha em out-doors, aproveitando a comemoração do aniversário do estado. A mensagem dizia que o estado de Roraima nasceu no dia da pequena empresa. À esquerda, a imagem de um lindo e saudável bebê. Louro e de olhos azuis.

A Assembleia Legislativa também fez uma campanha em vários out-doors convidando a população a opinar na revisão da constituição estadual. Os painéis colocados em pontos estratégicos mostram três jovens – todos louros.

Não vou discutir o mérito das duas campanhas – não acredito que deputados que nunca promoveram campanhas em torno de programas e projetos venham agora discutir seriamente qualquer assunto de interesse coletivo.

O que me intriga é a forma como a classe dominante vê a sociedade roraimense. Não há espaço para o índio, para o negro, para o mestiço, para o maranhense que é a cara da herança indígena e negra da região. Parece que o sonho de quem produz essa publicidade é mudar de povo, né? Quem sabe um povo mais assim, digamos, escandinavo?





De que lado você está? Do lado do DEM de Kátia Abreu e Ronaldo Caiado ou do lado de Eduardo Galeano e Frei Betto?

25 09 2009

mstManifesto em defesa da Democracia e do MST

“…Legitimam-se não pela propriedade, mas pelo trabalho,

nesse mundo em que o trabalho está em extinção.

Legitimam-se porque fazem História,

num mundo que já proclamou o fim da História.

Esses homens e mulheres são um contra-senso

porque restituem à vida um sentido que se perdeu…”

(“Notícias dos sobreviventes”, Eldorado dos Carajás, 1996).

A reconstrução da democracia no Brasil tem exigido, há trinta anos, enormes sacrifícios dos trabalhadores. Desde a reconstrução de suas organizações, destruídas por duas décadas de repressão da ditadura militar, até a invenção de novas formas de movimentos e de lutas capazes de responder ao desafio de enfrentar uma das sociedades mais desiguais do mundo. Isto tem implicado, também, apresentar aos herdeiros da cultura escravocrata de cinco séculos, os trabalhadores da cidade e do campo como cidadãos e como participantes legítimos não apenas da produção da riqueza do País (como ocorreu desde sempre), mas igualmente como beneficiários da partilha da riqueza produzida.

O ódio das oligarquias rurais e urbanas não perde de vista um único dia, um desses novos instrumentos de organização e luta criados pelos trabalhadores brasileiros a partir de 1984: o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra – MST. E esse Movimento paga diariamente com suor e sangue – como ocorreu há pouco no Rio Grande do Sul, por sua ousadia de questionar um dos pilares da desigualdade social no Brasil: o monopólio da terra. O gesto de levantar sua bandeira numa ocupação traduz-se numa frase simples de entender e, por isso, intolerável aos ouvidos dos senhores da terra e do agronegócio. Um País, onde 1% da população tem a propriedade de 46% do território, defendida por cercas, agentes do Estado e matadores de aluguel, não podemos considerar uma República. Menos ainda, uma democracia.

A Constituição de 1988 determina que os latifúndios improdutivos e terras usadas para a plantação de matérias primas para a produção de drogas, devem ser destinados à Reforma Agrária. Mas, desde a assinatura da nova Carta, os sucessivos Governos têm negligenciado o seu cumprimento. À ousadia dos trabalhadores rurais de garantir esses direitos conquistados na Constituição, pressionando as autoridades através de ocupações pacíficas, soma-se outra ousadia, igualmente intolerável para os senhores do grande capital do campo e das cidades: a disputa legítima e legal do Orçamento Público.

Em quarenta anos, desde a criação do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), cerca de um milhão de famílias rurais foram assentadas – mais da metade de 2003 pra cá. Para viabilizar a atividade econômica dessas famílias, para integrá-las ao processo produtivo de alimentos e divisas no novo ciclo de desenvolvimento, é necessário travar a disputa diária pelos investimentos públicos. Daí resulta o ódio dos ruralistas e outros setores do grande capital, habituados desde sempre ao acesso exclusivo aos créditos, subsídios e ao perdão periódico de suas dívidas.

O compromisso do Governo de rever os critérios de produtividade para a agricultura brasileira, responde a uma bandeira de quatro décadas de lutas dos movimentos dos trabalhadores do campo. Ao exigir a atualização desses índices, os trabalhadores do campo estão apenas exigindo o cumprimento da Constituição Federal, e que os avanços científicos e tecnológicos ocorridos nas últimas quatro décadas, sejam incorporados aos métodos de medir a produtividade agrícola do nosso País.

É contra essa bandeira que a bancada ruralista do Congresso Nacional reage, e ataca o MST. Como represália, buscam, mais uma vez, articular a formação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) contra o MST. Seria a terceira em cinco anos. Se a agricultura brasileira é tão moderna e produtiva – como alardeia o agronegócio, por que temem tanto a atualização desses índices?

E, por que não é criada uma única CPI para analisar os recursos públicos destinados às organizações da classe patronal rural? Uma CPI que desse conta, por exemplo, de responder a algumas perguntas, tão simples como: O que ocorreu ao longo desses quarenta anos no campo brasileiro em termos de ganho de produtividade? Quanto a sociedade brasileira investiu para que uma verdadeira revolução – do ponto de vista de incorporação de novas tecnologias – tornasse a agricultura brasileira capaz de alimentar nosso povo e se afirmar como uma das maiores exportadoras de alimentos? Quantos perdões da dívida agrícola foram oferecidos pelos cofres públicos aos grandes proprietários de terra, nesse período?

O ataque ao MST extrapola a luta pela Reforma Agrária. É um ataque contra os avanços democráticos conquistados na Constituição de 1988 – como o que estabelece a função social da propriedade agrícola – e contra os direitos imprescindíveis para a reconstrução democrática do nosso País. É, portanto, contra essa reconstrução democrática que se levantam as lideranças do agronegócio e seus aliados no campo e nas cidades. E isso é grave. E isso é uma ameaça não apenas contra os movimentos dos trabalhadores rurais e urbanos, como para toda a sociedade. É a própria reconstrução democrática do Brasil, que custou os esforços e mesmo a vida de muitos brasileiros, que está sendo posta em xeque. É a própria reconstrução democrática do Brasil, que está sendo violentada.

É por essa razão que se arma, hoje, uma nova ofensiva dos setores mais conservadores da sociedade contra o Movimento dos Sem Terra – seja no Congresso Nacional, seja nos monopólios de comunicação, seja nos lobbies de pressão em todas as esferas de Poder. Trata-se, assim, ainda uma vez, de criminalizar um movimento que se mantém como uma bandeira acesa, inquietando a consciência democrática do país: a nossa democracia só será digna desse nome, quando incorporar todos os brasileiros e lhes conferir, como cidadãos e cidadãs, o direito a participar da partilha da riqueza que produzem ao longo de suas vidas, com suas mãos, o seu talento, o seu amor pela pátria de todos nós.

Contra a criminalização do MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA!

Pelo cumprimento das normas constitucionais que definem as terras destinadas à Reforma Agrária!

Pela adoção imediata dos novos critérios de produtividade para fins de Reforma Agrária!

São Paulo, 21 de setembro de 2009

Plínio de Arruda Sampaio, presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária – ABRA, ex-Deputado Federal Constituinte pelo PT-SP (1985-1991) e ex-consultor da FAO

Osvaldo Russo, estatístico, ex-presidente do INCRA (1993-1994), diretor da ABRA e coordenador do núcleo agrário nacional do PT

Hamilton Pereira, o Pedro Tierra, 61, é poeta e membro do Conselho Curador da Fundação Perseu Abramo

Antônio Cândido, crítico literário, USP

Leandro Konder, filósofo, PUC-RJ

István Mészáros, Hungria, filósofo

Eduardo Galeano, Uruguai, escritor

Alípio Freire, escritor

Fábio Konder Comparato, jurista, USP e Doutor Honoris Causa da Universidade de Coimbra

Fernando Morais, jornalista e escritor

Dr. Jacques Alfonsin, jurista, Porto Alegre

Altamiro Borges, PCdoB

Nilo Batista, jurista

Alberto Broch, Presidente da CONTAG

Artur Henrique, Presidente da CUT

Augusto Chagas, Presidente da UNE

Bartira Lima da Costa, Presidente da CONAM

Ivan Pinheiro, secretario geral do PCB

Ivan Valente, Deputador Federal PSOL/SP

José Antonio Moroni, diretor da ABONG e do INESC

José Maria de Almeida, CONLUTAS, presidente do PSTU

Nalu Faria, coordenadora geral da Sempreviva Organização Feminista – SOF e integrante da executiva nacional da Marcha Mundial das Mulheres.

Paulo Pereira da Silva, Deputado Federal PDT-SP e presidente da Força Sindical

Renato Rabelo, presidente do PcdoB

Renato Simões, Secretário de Movimentos Populares do PT

Roberto Amaral, ex-Ministro da Ciência e Tecnologia, Secretário Geral do PSB

Sérgio Miranda, PDT-MG

Valter Pomar, Secretário de Relações Internacionais do PT

Wagner Gomes, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB

Dom Ladislau Biernaski, Presidente da CPT

Dom Pedro Casaldáliga, Bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia – MT

Dom Tomás Balduino, conselheiro permanente da CPT

Frei Betto, escritor

Leonardo Boff, escritor

Reverendo Carlos Alberto Tomé da Silva, TSSF, Anglicano, Capelão Militar

Miguel Urbano, Portugal, jornalista

Anita Leocádia Prestes, historiadora, UFRJ

Beth Carvalho, sambista

Adriana Pacheco, Venezuela, ViveTV

Adelaide Gonçalves, historiadora, UFCE

Ana Esther Ceceña, UNAN

Antonio Moraes, Federação Única dos Petroleiros – FUP

Associação Brasileira de ONG’s – ABONG

Associação Brasileira dos Estudantes de Engenharia Florestal (ABEEF)

Chico Diaz, ator

Cândido Grzybowski – IBASE

Comitè italiano de apoio ao Movimento Sem Terra (Amigos MST-Italia)

Antônio Carlos Spis, CMS (Coordenação dos Movimentos Sociais)

Dora Martins, juíza de direito, e presidenta da Associação de Juízes pela Democracia

Emir Sader, sociólogo, LPP/UERJ

Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (FEAB)

Hamilton de Souza, jornalista, PUC-SP

Heloísa Fernandes, socióloga, USP e ENFF

Jose Arbex, jornalista, PUC-SP

Maria Rita Kehl, psicanalista, São Paulo

Osmar Prado, ator

Paulo Arantes, filósofo, USP e ENFF

Vandana Shiva, Índia, cientista

Virginia Fontes, historiadora, UFF/Fiocruz

Vito Gianotti, jornalista e historiador, Núcleo Piratininga de Comunicação – Rio de janeiro





Greve e Coerência

18 09 2009

Nesta semana encerrou-se um capítulo da luta dos trabalhadores em educação. No momento, uma batalha ideológica, travada no campo da comunicação, foi vencida pelo conservadorismo. Como se sabe, em qualquer sociedade de classes a hegemonia ou dominação de um grupo social por outro só pode se manter se houver um certo nível de consentimento. Ou seja, não se pode manter a dominação de classe somente pelo uso da força. A ideologia da classe dominante, sua visão de mundo e a forma como ela justifica a perversidade da ordem social vigente exigem a adesão das demais classes.

Em nosso tempo e em nossa sociedade, essa ideologia dominante tem como linhas mestras o individualismo e a naturalização da injustiça social. Essa forma de ver a realidade social desmobiliza qualquer iniciativa de mudança; esvazia as lutas coletivas; estabelece como valor maior e forma de realização pessoal o consumo, a aquisição contínua de mercadorias como única forma de atingir a felicidade e convence a muitos de que “você não pode mudar o mundo”. Como se o mundo não estivesse mudando o tempo todo, desde sempre…

Contra todas as evidências cotidianas, passamos a acreditar que as desigualdades sociais, a miséria, a fome e o desemprego são frutos de diferenças de mérito pessoal. Desta forma, o desemprego é culpa individual do desempregado, que não buscou sua qualificação para se oferecer no mercado de trabalho; pela ótica individualista, a pobreza não resulta da forma como a sociedade está organizada, da forma como aqueles que já estão incluídos garantem as melhores oportunidades de educação e saúde para os seus filhos, ausentando-se da luta pela melhoria dessas oportunidades para todos.

Essa visão de mundo é compartilhada até mesmo por muitos dos dominados e dos oprimidos, mesmo no Brasil, a sociedade mais desigual do mundo, na qual a maioria das pessoas acha natural que um funcionário de escola concursado receba menos de 500 reais por mês enquanto determinadas categorias de servidores estaduais recebem salários quinze ou vinte vezes maiores.

Em uma sociedade como essa, embora os dominados sejam a maioria, não é sua voz que predomina nos meios de comunicação associados à formação da “opinião pública”. Há poucos dias, por exemplo, uma colunista social deplorou no jornal a greve dos trabalhadores em educação porque esse movimento iria atrapalhar a organização do concurso de beleza “Miss e Mister Estudantil”. Sua visão sobre o que é fundamental na educação é compartilhada por muita gente que forma a tal “opinião pública”.

Um comunicador, em um programa local de TV, regozijava-se com a decretação da ilegalidade da greve, exclamando: “Agora eu quero ver! Vocês vão ter que voltar para a sala de aula!!!” Para ele e para muitos que fizeram concurso para professor mas fazem tudo para estar em um gabinete refrigerado em uma função burocrática, estar em sala de aula é uma punição. Para mim e para muitos professores, é um momento gratificante, de realização pessoal. A diferença é entre os que tem uma visão individualista, do vale-tudo-para-se-dar-bem, e aqueles que acreditam na capacidade dos homens e das mulheres em mudar a realidade social.

Na Folha de Boa Vista de 16 de setembro, lemos que uma promotora associa a greve dos trabalhadores em educação ao aumento dos delitos praticados por jovens na capital. Aparentemente, se os filhos da classe trabalhadora não são mantidos ocupados nas escolas (mesmo sem as mínimas condições materiais para a atividade educativa), automaticamente serão atraídos para a criminalidade. Nesse caso, todas as outras instâncias socializadoras de nossa cultura estariam falidas: as famílias, as igrejas, as associações de todos os tipos, as formas de lazer… No entanto, quando determinadas escolas particulares, frequentadas por quem pode pagar, fecharam as portas por causa da influenza A, alunos também ficaram sem aula. Mas ninguém apontou uma correlação entre o fato daquelas crianças e adolescentes ficarem em casa e um aumento de delitos praticados por jovens. Afinal, eram filhos de “pessoas de bem”, não é mesmo?

Estrategicamente, os porta-vozes dos interesses anti-povo cuidaram sempre de omitir que a greve não era apenas dos professores, mas também dos funcionários de escola. Claro que era melhor, para desacreditar a greve, apresentar os professores como egoístas e gananciosos, para jogar os pais e alunos contra o movimento. Mostrar que a greve era também dos funcionários concursados, que recebem salários de fome (R$ 419,00 líquidos), poderia despertar simpatia pelos grevistas. Igualmente, era necessário comparar a remuneração dos professores de Roraima com a de professores de outros estados, que recebem salários vergonhosos; não se poderia comparar o salário do professor daqui com o de outros servidores com o mesmo nível de formação, pois isso carrearia apoio à greve. Por fim, como o maior argumento anti-greve era o de que o estado “não tem dinheiro” para atender as reivindicações, era imprescindível pedir que o distinto púbico fechasse os olhos para os muitos milhões de reais desperdiçados pelo estado em publicidade ou em shows como o de Fábio Júnior, um mimo para o baile dos médicos, fartamente anunciado na capital.

Valores republicanos, como o princípio da igualdade (ou ao menos de equalização de oportunidades), o tratamento institucional, aberto e franco dos conflitos existentes na sociedade, a excelência dos serviços prestados pelo Estado e o respeito pelo dinheiro público, a transparência na aplicação desse dinheiro, estão sendo profundamente corroídos há muito tempo. Afastamo-nos dos princípios afirmados pela Revolução Francesa e nos aproximamos mais de uma sociedade do tipo feudal, na qual os privilégios de determinadas classes ou estamentos são cada vez mais ampliados e as diferenças sociais se aprofundam e se enrijecem.

Nem todos os integrantes de uma classe social tem consciência de classe. Nem todos os integrantes de uma categoria profissional em greve partilham dos mesmos objetivos. Alguns podem ser bons profissionais, outros não – cabe ao estado fazer uma avaliação contínua e rigorosa para garantir que os usuários do serviço público tenham seu direito à educação atendido (aliás, a devida aplicação dessa avaliação, para efetivar o plano de carreira, era um dos pontos reivindicados). Muitos grevistas estavam genuinamente empenhados em fazer com que o governo cedesse nos pontos que diziam respeito às condições de trabalho, à merenda dos alunos, à gestão democrática; outros poderiam estar mais preocupados com a questão salarial.

Nitidamente, porém, neste embate entre governo e parte da mídia, de um lado, e trabalhadores, alunos e pais de outro, eram os professores que estavam do lado dos valores republicanos. Que outro grupo ou indivíduo, hoje, zela pela aplicação devida dos recursos destinados à educação? Quem, senão os trabalhadores organizados, alerta a população sobre a real condição das escolas da capital e do interior? Quem, senão os sindicalizados, fiscaliza efetivamente o executivo estadual nos Conselhos da Alimentação Escolar e do FUNDEB?

O que tenho a dizer aos trabalhadores em educação, como professor e como cidadão, é que a luta continua, por outros meios. É necessário vencer a batalha simbólica, da comunicação, escancarando para a sociedade local a verdadeira situação do ensino público em nosso estado. Se não há material com que escrever no quadro, o professor não deve comprar esse material, cujo fornecimento é dever do estado. Se não há papel, não há prova. Se a merenda não vem ou não está própria para o consumo, deve-se convocar uma reunião de pais. Se não há cadeiras, não há aula – os alunos não podem ser obrigados a sentar-se no chão. Sobretudo, devemos nos convencer de que os pais e os alunos estão do nosso lado nessa luta, que é da classe trabalhadora como um todo.





Políticos roraimenses ensinam que MOTESGUI foi um importante filósofo francês

13 09 2009

Pseudo-jornalismo e movimento social de araque

Hoje assistimos ao jornalismo fake do deputado Márcio Junqueira, em seu programa eleitoral denominado “Roraima Passado a Limpo”. Tudo é montado para parecer espontâneo, como se Junqueira fosse uma espécie de jornalista investigativo. Naturalmente, somente pessoas afinadas com seus pontos de vista são ouvidas.

Exploraram o sofrimento do pobre ex-posseiro da área do Caracaranã, de família tradicional na região, que conheci ainda criança, quando ia com minha família para aproveitar as praias do lago. Um homem honesto e conhecido por muita gente daqui.

Às custas do sofrimento daquela família, que mantinha uma infra-estrutura simples de alojamento e restaurante para os turistas que visitavam o lago, Junqueira e Faradilson protagonizaram uma comédia de mau gosto. Faradilson é a auto-denominada liderança de uma certa FAMER, Federação das Associações de Moradores do Estado de Roraima. Curiosamente, a FAMER tem se alinhado automaticamente a todas as causas mais reacionárias dos últimos anos – sempre como uma sombra das iniciativas de Junqueira. Vários outdoors foram espalhados pela cidade, assinados por essa federação, agradecendo e exaltando o referido deputado, quando da regularização da ocupação irregular que ficou conhecida como bairro São Bento. Agradeceram, por exemplo, o poço cavado, segundo eles, pelo deputado. Um poço escavado próximo da lagoa de estabilização que trata os esgotos de toda a cidade. Um ato de inaudita generosidade, sem dúvida.

O argumento é o mesmo de sempre: a homologação da terra indígena expropriou uma família de posse centenária, a terra indígena será administrada pela FUNAI e pelas ONGs estrangeiras etc.
Obviamente, o fato de que famílias indígenas vivem na região há muitos séculos, e não há apenas um século, foi considerado irrelevante pelo pseudo-jornalista.

Para fechar com chave de ouro, estamparam após os créditos do programa eleitoral a frase “Uma injustiça cometida a um indivíduo é uma injustiça cometida a todos”. Autoria: MOTESGUI. Como a picaretagem intelectual hoje em dia raramente é contestada, muita gente sente-se livre para fingir que conhece a obra de um autor clássico sem precisar ler nada.
A grafia do nome mostra a profundidade do conhecimento de Faradilson e Junqueira sobre a obra de Montesquieu. Eles tem a absoluta certeza de que somos todos idiotas.

Faradilson nos ensinou, ainda, que “na Europa grandes guerras foram travadas por menos do que isso” [a desintrusão de algumas famílias da terra indígena]. “Por exemplo,” disse ele com ar professoral, “o Kuwait entrou em guerra com o Iraque por causa de um único poço de petróleo”. Notável. Eu, na minha ignorância, julgava que o Kuwait e o Iraque ficavam na Ásia, e não na Europa. Se não fossem esses sábios, eu continuaria acreditando que o Iraque tinha ocupado todo o Kuwait, e não apenas um poço.

Na semana passada, Faradilson, sempre em nome dessa federação tão representativa que até hoje não conheci ninguém de qualquer bairro que tenha votado nele como seu representante, encenou outra comédia: à frente de vários ônibus cheios de crianças e adolescentes, tentou fazer uma provocação aos professores grevistas na praça do Centro Cívico. A pretensa manifestação seria apresentada como um protesto de pais e alunos contra a greve. O tiro saiu pela culatra: as crianças e os adolescentes, levados a um show de manipulação, possivelmente sem consentimento dos pais, estavam sem água, em meio ao forte calor. Foram pedir água aos professores, e disseram não saber para que estavam sendo levados ao centro da cidade! Vários disseram estar ao lado dos professores nessa greve, e uma adolescente inclusive pediu para subir ao carro de som, fazendo em seguida uma inflamada intervenção a favor da greve e contra a manipulação de que era vítima. Contam os presentes naquele dia que Faradilson tentou discursar contra a greve, mas foi abafado pelos aplausos irônicos dos professores. Uma comédia-pastelão como aquela só podia ser mesmo aplaudida, mas o tal líder ficou furioso, ao que consta.

Estranhamente, a FAMER nunca se pronunciou sobre as denúncias de merenda estragada, sobre o não-funcionamento do conselho do FUNDEB, sobre as denúncias de irregularidades nesse Fundo em Roraima ou sobre o salário de fome dos funcionários de escola concursados, que estariam recebendo 419 reais líquidos por mês. Tampouco se pronuncia quando os policiais militares que participaram da última greve denunciam perseguição política na corporação. É um silêncio ensurdecedor, como diria o velho reaça Nelson Rodrigues.

Não é a primeira nem a última vez que a direita e os donos do poder montam movimentos sociais de cima para baixo, artificialmente, para confundir a opinião pública. Não vou nem falar sobre a Sodiurr. No Chile, em 1973, a direita financiada pela CIA organizou greves para desestabilizar Allende, em uma conspiração que desgraçadamente foi muito bem-sucedida. A própria imprensa e o Congresso dos EUA divulgaram que a CIA pagou 4 milhões de dólares para ajudar os empresários dos transportes a manter o locaute que trouxe o caos ao abastecimento de alimentos e matérias primas em todo o país, pouco antes do golpe de 11 de setembro.





Nossos gloriosos vereadores e suas prioridades

13 09 2009

Dia do ClienteA julgar pela quantidade de outdoors que esse formidável representante do povo espalhou por toda a cidade, a criação do DIA DO CLIENTE deve ter sido a mais importante realização de toda a sua vida pública.
Nossos intrépidos vereadores elegem suas prioridades com muita clareza. É preciso ser corajoso para deixar tão evidente que não é prioritário enfrentar o caos do transporte coletivo, seguramente um dos piores entre todas as capitais. Que não é prioritário investigar se são procedentes as constantes notícias sobre falta de materiais elementares e más condições de trabalho nas escolas municipais, nem exigir providências da prefeitura. O tedioso trabalho de fiscalizar o executivo municipal não é prioritário para nossos representantes. Mas não quero parecer ingrato.
Obrigado, vereador. Saber que existe um DIA DO CLIENTE mudou minha vida para sempre!





O Maranhão e o legado de 45 anos do coronelismo de Sarney

25 07 2009

Sarney e a ética - Leo

Essa eu vi no blog do Avery e gostei muito. “Para nascer, Maternidade Marly Sarney. Para morar, escolha uma das vilas: Sarney, Sarney Filho, Kiola Sarney ou, Roseana Sarney. Para estudar, há as seguintes opções de escolas: Sarney Neto, Roseana Sarney, Fernando Sarney, Marly Sarney e José Sarney.

Para pesquisar, apanhe um táxi no Posto de Saúde Marly Sarney e vá até a Biblioteca José Sarney, que fica na maior universidade particular do Estado do Maranhão, que o povo jura que pertence a um tal de José Sarney;

Para inteirar-se das notícias, leia o jornal “O Estado do Maranhão”, ou ligue a TV na “TV Mirante”, ou, se preferir ouvir rádio, sintonize as Rádios Mirante AM e FM, todas do tal José Sarney. Se estiver no interior do Estado ligue para uma das 35 emissoras de rádio ou 13 repetidoras da TV Mirante, todas do mesmo proprietário.

Para saber sobre as contas públicas, vá ao Tribunal de Contas Roseana Murad Sarney (recém batizado com esse nome, o que é proibido pela Constituição, coisa que no Estado do Maranhão não tem nenhum valor).

Para entrar ou sair da cidade, atravesse a Ponte José Sarney, pegue a Avenida José Sarney, vá até a Rodoviária Kiola Sarney. Lá, se quiser, pegue um ônibus caindo aos pedaços, ande algumas horas pelas ‘maravilhosas’ rodovias maranhenses e aporte no município José Sarney.

Não gostou de nada disso? Então quer reclamar? Vá, então, ao Fórum José Sarney, procure a Sala de Imprensa Marly Sarney, informe-se e dirija-se à Sala de Defensoria Pública Kiola Sarney…

Seria cômico se não fosse tão triste….

E quando o Zé Sarney morrer…. o Maranhão fica para seus filhos ou volta para o povo????

Quando José Sarney (Presidente do Senado do Brasil) morrer…certamente irão trocar o nome do Maranhão”.





Honduras resiste! Mas porque toda a mídia distorce o que está acontecendo por lá?

21 07 2009

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Como amostra do repúdio internacional aos golpistas, estes cartazes foram produzidos por voluntários de diferentes países. Reproduzi esse material de http://ceticosantitermidorianos.blogspot.com/.

Mas por que a mídia brasileira insiste em dizer que o presidente violou a constituição ao convocar um plebiscito para estender seu mandato? Ignorância, má fé ou reflexo condicionado diante de qualquer governo que não diga amém automaticamente ao neoliberalismo e à hegemonia dos EUA?

Um relato escrito pela ex-secretária de comunicação de Allende parece ser o primeiro que tenta explicar o que está acontecendo em Honduras:

“O pecado de Zelaya

Manuel Zelaya disputou a eleição pelo Partido Liberal, que é um dos dois partidos políticos tradicionais de Honduras que se alternam no governo nos períodos em que não há ditaduras. Embora ambas as coletividades possam incluir-se na direita política, o Partido Liberal tem assumido há alguns anos uma linha progressista e inclusive pertence à socialdemocrata Internacional Socialista. Zelaya teve desde o começo a oposição dos meios de comunicação que pertencem, sem exceção, à direita política, ganhou a eleição por uma margem de votos não muito grande para o seu rival do Partido Nacional e foi ratificado como presidente depois da visita intervencionista de uma enviada do então presidente Bush.

Uma vez no governo, a gestão do mandatário se orientou para a busca de uma maior justiça social, o que produziu uma forte oposição de seus adversários políticos e inclusive de alguns personagens de seu partido. Seu mais encarniçado rival tem sido Roberto Micheletti, presidente do Congresso que, hoje, graças ao golpe, pode ostentar-se como presidente. Micheletti é um presidenciável frustrado, perdeu todas as vezes que aspirou a ser candidato de seu partido ao cargo mais importante do país. Foi derrotado por Zelaya e também por quem agora postula o cargo nas eleições previstas para 29 de novembro próximo.

Às distintas medidas postas em prática por Zelaya se agregou uma, baseada na Lei de Participação Cidadã, promulgada no seu governo. Essa lei assinala que os cidadãos podem pedir ao presidente que se faça uma consulta cidadã, que não é vinculante, sobre o tema que avaliem como de seu interesse. Mais de 400 mil pessoas solicitaram que se consultasse a opinião das pessoas sobre uma Assembléia Constituinte. Essas consultas, segundo a lei, devem ser feitas pelo Instituto Nacional de Estatística e não têm outro objetivo que o de conhecer o que o cidadão comum pensa sobre o tema de que se trate.

Isso é o que ia ser consultado no dia em que houve o golpe de estado. A pergunta concreta era:

“Você está de acordo que nas eleições gerais de novembro de 2009 se instale uma Quarta Urna na qual o povo decida a convocatória de uma Assembléia Constituinte?”

“Sim…….Não……”

A Quarta Urna era a que seria agregada às três urnas em que se deposita o voto nas eleições gerais; delas, uma é para a votação para presidente da República, outra para parlamentares e a terceira, para prefeitos e vereadores. O mandato de Zelaya termina em janeiro, de modo que tudo o que for relativo à eventual convocatória de uma Assembléia Constituinte seria algo que teria a ver com seu sucessor ; portanto, nem sequer existia um projeto que considerasse a reeleição presidencial nem nenhuma outra matéria relativa ao tema.

O motivo pelo qual se desatou o problema é muito diferente. Honduras tem uma Constituição promulgada em 1982, sob um regime ditatorial do general Policarpo Paz Garcia e nela os 8 primeiros artigos são declarados “cláusulas pétreas”, isso quer dizer que não podem nunca serem modificados. A razão é uma só: são os que determinam um tipo de governo autoritário e defensor dos interesses de determinados setores, que não estão dispostos a perder o poder. E aquele que tente mudar a constituição é considerado “traidor da pátria”.”

* * *

Isso deixa muitas perguntas no ar:

Uma constituição imposta por uma ditadura é legítima? Não se pode alterá-la no todo ou em parte?

Se realmente se decidir por um plebiscito que seja permitida a reeleição (que somente seria válida para o sucessor do atual presidente), esse procedimento não seria mil vezes mais democrático e moralmente correto do que a forma como o Príncipe dos Sociólogos impôs a reeleição no Brasil?

Por que não se divulga que Michletti (o presidente golpista) concorreu várias vezes à presidência, só conseguindo “chegar lá” por meio de um golpe?

Por que a mídia brasileira não explica que a consulta popular não tinha poder vinculante?

Nossos meios de comunicação são tão objetivos e imparciais, não são?

Leia o texto integral em http://www.socialismo.org.br/portal/internacional/38-artigo/1016-ex-secretaria-de-allende-golpe-e-advertencia-para-america-latina-





Yeda Crusius: por que ela ainda é governadora do RS?

21 07 2009

(reproduzido de http://ceticosantitermidorianos.blogspot.com/)

A última da governadora Yeda está entalada em milhares de gargantas. Diante de um protesto de professores do CPERS contra a falta de vagas e estrutura nas escolas (as chamadas aulas em containers, que estão sendo investigadas pelo Ministério Público Federal), a governadora atacou os manifestantes, chamando-os de “torturadores”. Visando dar uma resposta a altura para essa declaração infeliz de Yeda Crusius, o Movimento pela Abertura dos Arquivos da Ditadura – RS lançou hoje uma carta aberta para a governadora, exigindo retratação de suas declarações e deixando bem claro que os verdadeiros “torturadores” são aqueles que cortam verbas da educação pública. Reproduzimos aqui, na íntegra, a carta do Movimento e solicitamos aos leitores que a divulguem.

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Exma. Sra. Governadora do Estado do Rio Grande do Sul,

Yeda Crusius

O Movimento Pela Abertura dos Arquivos da Ditadura toma a iniciativa de escrever-lhe esta carta, em referência ao cartaz que a senhora escreveu ontem pela manhã, dia 16 de julho de 2009, e apresentou aos fotógrafos de órgãos de imprensa de todo o país. A sua declaração, de que aquelas pessoas que ali estavam não eram professores, mas “torturadores”, atinge não somente aqueles professores, que estão em seu pleno direito de reivindicar melhores salários e condições de trabalho, mas também todos os cidadãos brasileiros, vítimas diretas ou indiretas dos crimes cometidos por torturadores ao longo da história do Brasil. A utilização deste termo é uma prova da total falta de conhecimento histórico da senhora, e mais: um grande desrespeito à memória do país, que recentemente passou por um período de ditadura, não só militar, mas com contribuição de muitos civis, muitos hoje acusados de terem, esses sim, torturado pessoas. Com sua declaração, a senhora ignorou totalmente a carga histórica que o conceito de “torturador” carrega. A senhora já ouviu o depoimento de alguém que tenha sofrido, verdadeiramente, uma tortura? Estas pessoas merecem o nosso respeito, o que não observamos na sua atitude.

Isso corrobora para o que estamos chamando atenção há tempos: a utilização inadequeada de adjetivos, sem conhecer seu teor histórico, sem valor explicativo, e usado de forma pejorativa e impune. Isso acontece, também, com o conceito de “terrorista”, que é utilizado para a luta armada brasileira, mas nunca atribuído às ações do aparato repressivo do Estado – ainda não desmontado, julgado e condenado – e com grupos para-militares, como o CCC, sigla que ainda hoje circula na sociedade brasileira, e é lembrada como o grande grupo que combatia o comunismo, sem saber de fato o que aquele grupo fez no Brasil.

A sua atitude se assemelha à dos torturadores e repressores, na medida em que, assim como as balas, as palavras ferem, e vêm justamente do lugar que deveria tomar conta de todos os cidadãos, independente de posicionamento político: o Estado. A senhora comparou uma classe trabalhadora, que exercia um direito que fora suprimido por mais de 20 anos, àqueles responsáveis pela supressão do mesmo. Comparou-os a pessoas que cometeram crimes, e que estão por aí, impunes. Isto, senhora governadora, é considerado calúnia, segundo as leis do Estado que a senhora representa.

A senhora sentiu-se intimidada pela manifestação que impediu o direito de ir e vir de seus netos. A senhora sabe que durante os anos 1960, 1970 e 1980, vigoraram no Cone Sul ditaduras civil-militares que sequestraram, torturaram, desapareceram, mataram e apropriaram-se de crianças? Na Argentina, por exemplo, há mais de 500 crianças desaparecidas. Apenas 91 tiveram sua identidade restituída. A senhora sabe como isto foi feito? Através de lutas, confrontos, manifestações, como esta, que se realizava em frente a sua residência.

Seus netos, senhora governadora, provalvemente não saibam o estado em que se encontra a educação pública no Rio Grande do Sul, pois devem frequentar os melhores e mais caros colégios em Porto Alegre. Seus netos não devem fazer idéia do que seja passar trimestres, às vezes anos, sem uma disciplina, por falta de professor; ou estudarem em turmas com 50 alunos, por causa do enturmamento promovido pela senhora; ou enfrentarem as condições precárias em que se encontram muitas escolas; ou não possuírem uma boa educação por falta de recursos; ou encontrarem professores desmotivados pela miséria que é paga todos os meses. Estes sim, são torturados.

Senhora governadora, por todos esses motivos expostos nós, do Movimento Pela Abertura dos Arquivos da Ditadura, escrevemos esta carta com o objetivo de solicitar uma retratação pública da senhora, em frente às câmeras de televisão, para com todos os cidadãos brasileiros, que de uma forma ou de outra, sabem exatamente o que signifca o termo “torturado”. Pedimos que a senhora tome essa atitude, em nome de todas as verdadeiras vítimas de crimes de tortura cometidos no Brasil, seja durante a ditadura civil-militar, seja ainda hoje em dia, pelo Estado.

Esta carta seguirá com cópia para órgãos de imprensa e endereços eletrônicos que quiserem publicá-la.

Assinado: MOVIMENTO PELA ABERTURA DOS ARQUIVOS DA DITADURA-RS

Porto Alegre, 17 de julho de 2009





Quem quer ser milionário???

10 07 2009

O que é um partido?Eis aí. O que é um partido? Simples balcão, mero comitê eleitoral, para funcionar de dois em dois anos? Unicamente uma formalidade exigida para tentar-se realizar um projeto pessoal, de enriquecimento pessoal?

Não era para ser um coletivo de discussão de ideias e projetos para a coletividade? Não deveria aglutinar pessoas em torno de um programa, para disputar espaço com outros programas, outras propostas?

Triste que isso ocorra em um partido que tem história, que já foi importante para a esquerda brasileira. O partido de Miguel Arraes. Muito triste.





Impérios coloniais: jogo didático

10 07 2009

Ataque pirata no estreito de Málaca!As metrópoles europeiasNeste semestre, ministrei uma oficina sobre recursos didáticos na UFRR. O público era de aunos do dep. de História (UFRR e UERR). Utilizamos os mapas conceituais e um jogo que criei para ensinar História Moderna, mercantilismo, Antigo Regime, colonialismo etc. Acho que o pessoal gostou… Neste sábado, jogarei o Impérios Coloniais com os amigos. Aqui, algumas fotos do jogo, durante a oficina.





Enquete – Transporte público moderno e de qualidade: um sonho distante para o boa-vistense

7 07 2009

O transporte coletivo, em muitas cidades pelo mundo afora, é eficiente, rápido e barato, concretizando a tão falada liberdade de ir e vir e diminuindo a pressão do transporte individual (automóvel) sobre o meio-ambiente e o sistema viário. E em Boa Vista, como vai a coisa?

Será que até a Venezuela vai ter um transporte público melhor que o nosso?
pitoresco ônibus venezuelano